Júlia tem um ano e cinco meses e já tem um jogo preferido no tablet: Pierre, o papagaio falante. A ave virtual reage contente ao receber um carinho e se movimenta quando a criança pressiona certos comandos na tela. Quando Júlia tinha apenas alguns meses, observava o pai usar o aparelho. Depois que a menina começou a falar as primeiras palavras, o tablet passou a compor o arsenal de brinquedos.
- Ela brinca com uns quatro ou cinco jogos, sempre sob supervisão. A família não estranhou quando ela começou a interagir com o tablet. Na verdade, achamos uma graça - orgulha-se o pai, Maurício Lewkowicz.
O exemplo de Júlia demonstra como, cada vez mais cedo, as crianças passam a usar a tecnologia. A mágica, no entanto, não está nas crianças. Os aparelhos estão mais intuitivos.
- A criança não precisa ser alfabetizada, como no computador, que exige uso de teclado. O bebê se interessa pelo tablet porque é simples, o toque na tela gera reação imediata. As crianças são atraídas pelo movimento, pela imagem. Todo aparelho que tiver isso gera fascínio - avalia Helena Sporleder Côrtes, professora da Faculdade de Educação da PUCRS.
Pedro começou a descobrir os aplicativos aos dois anos, quando o pai, Tiago Becker, comprou um iPhone. Hoje, com a irmã Júlia, sete anos, divide o tempo no tablet sem abandonar o aparelho menor, que tem mais jogos instalados. O pai é cuidadoso. Sabe que largar um aparelho com acesso à internet com uma criança tão pequena pode trazer prejuízos que vão desde quebra até o download de aplicativos pagos.
- O uso é sob supervisão. Às vezes ativo o filtro, assim eles não podem desinstalar os meus aplicativos, que uso para o trabalho, nem instalar nada sem permissão. Eles sabem que se querem algo, é preciso pedir primeiro - afirma Becker.
Já existem aplicativos para bebês, que se propõem a ensinar cores e formas, usando sons e figuras de animais. Uma distração para consultas no pediatra e em viagens.
Loja de brinquedos dentro de casa

Aos sete anos, Isadora sugere novos jogos para o pai, Pedro, que desenvolve programas
Foto:Nauro Júnior
Era para ser um presente de Dia dos Pais, mas quem se diverte mesmo é a filha. Alexandra Rafaeli, nove anos, usa o iPad para baixar games e gravar vídeos com as amigas. O tablet fica liberado quando os temas de casa estão prontos e quando o pai, Sandro Rafaeli, não usa o aparelho no trabalho. Mas logo os pais descobriram que para os joguinhos terem graça é preciso continuar a investir:
- Muitos dos jogos que ela baixa são de graça no início, mas cobram por itens para avançar. O que faço é trazer um cartão com créditos do iTunes quando viajo para o Exterior. Fica como presente de viagem e ela administra como quer - explica o pai, referindo-se aos cartões pré-pagos que são vendidos nos Estados Unidos e na Europa.
Tiago Becker é sensível aos apelos dos filhos Pedro, quatro anos, e Júlia, nove anos, por créditos para avançar nos jogos. Os irmãos começaram a se interessar pelos aplicativos quando comprou um smartphone e hoje se dividem entre os dois aparelhos. Eles gastam pequenas quantias, em geral menos de um dólar, mas também se aventuram pelos gratuitos.
- Eu vejo isso como o que acontecia comigo quando eu era criança. A gente vivia pedindo para o pai comprar cartucho para o videogame. Às vezes, o pai deixava e eu também abro essas exceções - diz Becker.
Isadora Nunes, sete anos, é exigente com relação aos jogos. Depois de descobrir as fases pagas e pedir crédito para seguir adiante, ela passou a imaginar os games que gostaria de encontrar e que nem haviam sido inventados ainda. O desejo de ver os joguinhos se concretizarem foi realizado pelo pai, Pedro Nunes, que desenvolve aplicativos para empresas.
- Ela dá as ideias de como gostaria que o jogo fosse e eu pesquiso para ver se já existem. A Isadora passou de uma fase de jogadora para uma etapa de construtora - diz Nunes.
A educadora Helena Sporleder Côrtes, da PUCRS, ressalta que pais e filhos precisam estar atentos para que o fascínio por esses aparelhos não seja exagerado:
- Os pais precisam impor limites, não só para os filhos, mas para eles mesmos também. Além de estabelecer um diálogo e tempo para o uso, os pais precisam criar oportunidades, sair com os filhos e fazer outras atividades.
Para evitar que Isadora caia na tentação de jogar em vez de fazer as tarefas de casa, Pedro deixa o tablet no escritório e só libera o aparelho nos fins de semana. Tiago, pai de Pedro e Júlia, informa que não precisa impor tantos limites. Os próprios filhos ficam cansados depois de um tempo e procuram outra diversão. Um alívio para o pai, que, antes da compra, se preocupou com o apego excessivo à tecnologia.
Confira alguns programas preferidos, de acordo com a idade:
1 ano
Baby Piano
O pianinho com teclas largas e coloridas é divertido para os bebês e à medida que vão crescendo, eles podem praticar algumas músicas simples, seguindo uma programação especial do teclado.
Grátis na PlayStore
My Baby Game - Baloon Pop
Balões sobem a tela em diferentes velocidades e são estourados a cada toque, fazendo barulhos diferentes e gerando imagens de animais.
Grátis na App Store
4 anos
Dress Up Pet
Este joguinho permite criar um gato ou cachorro virtual cheio de acessórios, como óculos, colares e chapéu.
Grátis na App Store, mas pacote extra custa US$ 2,99
7 anos
Alphabet Car
Jogo ajuda as crianças a aprender a escrever e a decorar palavras em inglês.
Gratuito na Play Store
9 anos
Cut the Rope
O objetivo do jogo é alimentar o monstrinho Om Nom, cortando cordas para liberar doces.
US$ 0,99 na App Store e versão grátis na Play Store
Angry Birds
Os passarinhos furiosos são uma espécie de pacman da era tablet: um clássico. As aves são lançadas em um estilingue gigante para acabar com os porcos malvados que roubaram seus ovos.
Grátis na Play Store e US$ 0,99 na App Store













