Vaquinha virtual25/04/2012 | 07h51

Produções culturais predominam em crowdfunding brasileiro

Quem contribui recebe recompensas que podem ser um CD ou até a participação em um filme

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Produções culturais predominam em crowdfunding brasileiro Gabriel Gomes/Divulgação
Em Porto Alegre, projeto pediu financiamento para imprimir adesivos para paradas de ônibus Foto: Gabriel Gomes / Divulgação

Arrecadar dinheiro para projetos culturais, do tipo shows, exposições e documentários, é uma das principais atividades nos sites de crowdfunding brasileiros. Essa modalidade de arrecadação estabelece cotas com as quais qualquer pessoa pode contribuir, recebendo em troca uma recompensa proporcional.

No caso dos shows, quem paga uma cota pode ter direito a um ingresso ou até a subir no palco e cantar uma música com a banda. Em um documentário, a contribuição pode valer o nome nos créditos. E nos filmes de ficção, até uma aparição como figurante.

O site Ativa aí decidiu investir na vocação cultural. O site faz propostas de shows. As que são mais bem aceitas pelo público, são organizadas pelo próprio site. A ideia inicial pode partir de fã clubes ou até dos próprios artistas.

— É tudo muito aberto e democrático. O que fazemos é expor o custo da produção de um show. Assim a pessoa sabe exatamente o que está pagando — diz Luiz Camargo, diretor comercial do Ativa aí.

Os criadores do Ativa aí têm em Porto Alegre um dos próximos destinos para os shows.

— Queremos apresentar à cidade aquelas bandas que já fazem sucesso em São Paulo e que têm chance de agradar o público de Porto Alegre — complementa.

No site Catarse, o movimento foi inverso. Uma proposta de um grupo de Porto Alegre deu certo e acabou sendo imitada no outro lado do país. A ação consistiu em arrecadar fundos para criar adesivos e colar nas paradas de ônibus, incentivando a população a sinalizar quais linhas atendiam cada parada. Apesar de uma polêmica inicial com a Empresa Pública de Transporte e Circulação, a prefeitura decidiu adotar a ideia. A proposta foi copiada até em Manaus.

A maioria das propostas está mesmo na área artística e cultural. Mais de 200 projetos já foram financiados pelo público. Quando a proposta não atinge o valor mínimo, o dinheiro é devolvido. Segundo o fundador do site, Diego Reeberg, o principal fator para ter sucesso é criar uma boa rede de contatos:

— É preciso mandar e-mails para amigos, familiares, fazer a divulgação nas redes sociais, entrar em contato com pessoas que se mostraram interessadas no projeto. É preciso criar essa expectativa antes de lançar no site. Os que se saíram melhor até agora foram aqueles bem planejados, com pessoas que mostraram paixão pelo que faziam — diz Reeberg.

Para facilitar a divulgação entre amigos e agilizar o cadastro de projetos, foi lançado na semana passada o aplicativo Mobilize, uma plataforma de crowdfunding que funciona dentro do Facebook. André Gabriel, um dos fundadores, explica que, como o brasileiro tem uma média de 231 amigos na rede social, ficaria mais fácil disseminar a vaquinha virtual. André é de Belo Horizonte e, em 2010, ajudou a criar o Let's, outro site com o mesmo princípio, mas voltado para projetos do terceiro setor:

— No Brasil, ainda têm mais destaque os projetos culturais, como produção de CDs, shows e outros eventos, mas o potencial é muito grande. O crowdfunding é uma ferramenta, um modelo de financiamento que serve para tudo. Não tem preconceito. Até uma vaquinha para realizar uma festa de casamento pode ser crowdfunding.

Conheça alguns sites de Crowdfunding

No Brasil:

catarse.me

www.ativaai.com.br

www.vakinha.com.br

www.mobilizefb.com

No Exterior:

www.kickstarter.com

www.indiegogo.com

www.rockethub.com

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