Uma nova rota vai marcar os aeroportos brasileiros a partir desta segunda-feira. Está previsto o primeiro leilão de concessão de estruturas aeroportuárias a grupos privados. Viracopos (Campinas), Cumbica (Guarulhos) e Juscelino Kubitschek (Brasília) terão de ser reformados com recursos privados para atender à demanda para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.
Para decolar, o leilão teve de vencer resistências sindicais, discordâncias políticas e liminares de grupos contestando o tempo para preparar suas ofertas. Pelos menos 11 consórcios terão propostas abertas na sede da BM&F Bovespa, em São Paulo, às 10h desta segunda-feira – e três deles assumirão a empreitada.
A entrega de terminais à iniciativa privada poderá encerrar uma década de perspectivas frustradas de investimentos em ampliação e modernização nos aeroportos. Nos últimos 10 anos, o movimento nos aeroportos mais do que dobrou, mas a capacidade de atendimento permaneceu a mesma, gerando contratempos aos passageiros. Outros terminais poderão ser privatizados em março — cogita-se que o governo irá ceder à iniciativa privada o Galeão, no Rio, e o Confins, em Belo Horizonte, além de aeroportos nas regiões Norte e Nordeste.
Valor inicial para concessão do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, é de R$ 3,4 bilhões
Foto: Infraero, Divulgação
Valor inicial para concessão do aeroporto de Viracopos, em Campinas, é de R$ 1,4 bilhão
Foto: Infraero, Divulgação
Valor inicial para concessão do aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, é de R$ 580 milhões
Foto: Infraero, Divulgação
Obras de expansão para reduzir atrasos em voos
Os três aeroportos que passarão para mãos privadas operam acima da capacidade, gerando atrasos e confusão nos horários de pico. Apesar de receber módulos provisórios, os terminais de Guarulhos e Brasília seguem operando acima de seu limite. Em Campinas, pouco mais de um ano foi o tempo necessário para que as estruturas ficassem ultrapassadas. Não há mais espaço no pátio para os aviões se movimentarem. Espremidos também se sentem os passageiros nas salas de embarque.
Sob o controle de empresas, operações hoje problemáticas poderão ser melhoradas, acredita Medeiros. As filas de check-in poderão ser reduzidas, pois a concessão possibilitará a instalação de mais balcões de atendimento. O mesmo poderá ocorrer nas áreas para raio X e verificação de passaporte – um estrangeiro que desembarca em Guarulhos pode aguardar até duas horas para ter sua entrada no Brasil autorizada.
Especialistas esperam que parte dos atrasos nos voos seja evitada. Com a expansão dos terminais e a criação de novas salas e pontes de embarques, os aviões poderão se posicionar nos hubs mais rapidamente.
– Parte dos atrasos são causados por deficiência nas estruturas dos aeroportos: os aviões aguardam longos períodos até a liberação dos fingers (pontes de embarque). Além da demora, isto acarreta custos para as empresas– afirma Enio Lourenço Dexheimer, professor da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da PUCRS.
Nos primeiros anos de concessão, não haverá obras de expansão das pistas. Para evitar fiasco na Copa do Mundo de 2014, o governo determinou, nos contratos de leilão, que seja priorizada a ampliação e modernização dos terminais de passageiros. A adequação das pistas para receber aeronaves maiores e a criação de novos slots (autorizações para novos voos) ficarão para mais tarde.











