Diário21/02/2012 | 04h14

Em meio à crise, grega relata situação dos últimos dias em Atenas

Paraskevi Bessa-Rodrigues mora há 15 anos em Porto Alegre e está em férias no país natal

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Em meio à crise, grega relata situação dos últimos dias em Atenas Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Professora grega e família em um dos pontos turísticos da Grécia Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Em viagem de férias ao país natal, a grega Paraskevi Bessa-Rodrigues (com a família), coordenadora da assessoria de Relações Internacionais e Desenvolvimento da Unisinos, relata a tensão vivida pelos conterrâneos na mais tensa semana no país, em que o Parlamento aprovou novos cortes e manifestantes incendiaram prédios em Atenas. Moradora em Porto Alegre há 15 anos, a professora universitária viaja todos os anos para visitar a família em Atenas.

Dia 12
Domingo

Parlamento grego aprova novos cortes e manifestantes incendeiam prédios

Passa da meia-noite e assisto aos discursos no Parlamento. O que chama a atenção é que a imagem na TV está dividida em duas. Uma mostra a votação, e a outra, as manifestações na Praça Syntagma, que desembocam em violência. O apartamento de minha mãe fica a cerca de quatro quilômetros da praça. Em demonstrações anteriores, os distúrbios chegaram até as redondezas. Dessa vez, não.

Dia 13
Segunda

Alemanha adverte que medidas aprovadas não são suficientes para liberação de recursos

A imprensa se dedica exaustivamente a discutir quem queimou Atenas e os motivos da violência. Decidimos sair. O centro está tranquilo, e passamos de carro a poucos metros da praça sem problema. A destruição das lojas não afetou o movimento na região. Não há manifestantes, só algumas viaturas, monitorando. Fico surpresa com o espaço vazio.

Dia 14
Terça

Divulgada queda de mais de 7% no último trimestre e 5,5% em 2011 no PIB do país

Os questionamentos do ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, a respeito da credibilidade do governo grego e dos partidos políticos, levam o presidente grego, Karolos Papoulias, a criticar fortemente a interferência alemã nos assuntos internos. As reações na imprensa internacional demonstram entendimento da ira do presidente grego.

Dia 15
Quarta

Adiada reunião de líderes da zona do euro para destravar ajuda de 130 bilhões de euros

Nesses momentos, vem automaticamente à minha mente tudo que aprendi com meus professores e tento transmitir a meus alunos. As teorias da complexidade do contexto internacional, a interdependência desigual, a nebulosidade entre os limites da política interna e externa encontraram a sua materialização prática no caso grego.

Dia 16
Quinta

Jornais locais destacam a tentativa da Alemanha de controlar as finanças gregas

O populismo em discursos feitos para o público interno, ainda mais em período pré-eleitoral em Alemanha, França e Grécia, e acusações mútuas não levam a lugar algum. A necessidade é de consenso interno, entre gregos e deles com os europeus sobre onde chegar. O choque é entre favoráveis e contrários à integração.

Dia 17
Sexta

Acordo com credores privados, que cortaria a dívida em até 70% é previsto para o dia 21

Não sei se o otimismo anunciado nas primeiras páginas dos jornais a respeito de um acordo tem algum impacto na psicologia da população, especialmente nos mais de 1 milhão de gregos desempregados ou nos aposentados que sofreram mais um corte de 20% nos seus salários.

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