18/06/2011 | 18h13

Turbulências em países europeus alertam para nova crise econômica no continente

Especialistas apontam riscos com incertezas nas economias de Grécia, Portugal, Irlanda, além de temores na Itália e na Espanha

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O agravamento da crise na dívida pública dos países da Europa já fez cidadãos apertarem os cintos com intensidade só vista no pós-guerra, mudou gabinetes, derrubou governos e fez nascer um movimento político convocado por jovens. Na Grécia, onde o novo surto de turbulência financeira tem seu epicentro, algum tipo de calote na dívida é considerado inevitável.

Na sexta-feira, Alemanha e França fizeram acordo para não forçar credores a aceitar moratória, mas pouco ainda se sabe de um novo pacote de até 150 bilhões de euros que seria amarrado para tentar evitar situação semelhante à da falência do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008. O episódio, marcado pela falta de ação do governo dos Estados Unidos, tornou-se o gatilho da maior recessão das últimas oito décadas.

Escondida sob programas de resgate, uma sucessão de descumprimentos no pagamento de dívidas públicas em euros está a caminho, avalia Charles Wyplosz, diretor do Centro Internacional de Estudos sobre Moeda e Sistema Financeiro e professor do Instituto de Estudos Internacionais em Genebra:

— Se atingir apenas países pequenos, como Grécia, Irlanda e Portugal, é administrável. Se Espanha ou Itália forem atingidas, será muito pior do que o Lehman.

Há poucos dias de volta de Portugal, onde participou de debates sobre a crise, o ex-ministro da Economia Marcílio Marques Moreira se impressionou com o cenário de incerteza europeu.

— Não se sabe o poder de contágio nas dívidas soberanas, não se conhece o efeito de um calote sobre bancos franceses e alemães e não se conhece em profundidade o impacto no mercado de derivativos, que foi o efeito do Lehman.

ESPECIAL: saiba mais sobre as economias em crise no continente europeu:


Do lado de fora dos gabinetes onde se reúnem especialistas e autoridades, jovens sem perspectivas e aposentados atingidos por cortes drásticos de orçamento exigidos em troca do socorro do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu (BCE) sacodem sistemas partidários tradicionais, acrescentando um grande ponto de interrogação sobre o futuro da Europa.

Caso não seja detida antes de aumentar, essa onda de incerteza deve chegar ao Brasil. Não deve ser uma marolinha, nem um tsunami, mas pode ter força para frear ainda mais o crescimento verde-amarelo.

VÍDEO: Confira o Papo de Economia especial com o ex-secretário da Fazenda do Estado, Aod Cunha, sobre o assunto:



Confira a matéria completa na edição deste domingo de Zero Hora

Comentar esta matéria Comentários (1)

Ricardo Lemos

Faltou emfatizar o papel da "camisa de forca" do Euro em impedir a recuperacao dos paises perifericos Europeus que e a desvalorizacao da moeda pra aumentar exportacoes. O Aod Cunha com esse papo de problemas estruturais devido a idade media europeia ta por fora. Antes de 2008 a idade media era a mesma e a divida Irlandesa e Espanhola era menor em termos percentuais do que a Alema.Essa e uma velha crise financeira estilo 1929-32. Nada de novo a excecao do Euro que esta fazendo o papel do ouro naquela epoca

19/06/2011 | 12h16 Denunciar

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