18/06/2011 | 20h06

"É como em 1968", diz diretor de Conselho Europeu sobre manifestações no continente

José Ignacio Torreblanca afirma que o europeu quer mais Estado de bem-estar social

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O cientista político espanhol José Ignacio Torreblanca é articulista do jornal El País e diretor do Conselho Europeu de Relações Externas. Nesta entrevista a ZH, ele diz que o europeu quer mais Estado de bem-estar social e que as manifestações de rua se assemelham às de 1968. Confira:

Zero Hora — Por que a Europa está em crise e a América Latina cresce?

José Ignacio Torreblanca — Porque na Europa temos um modelo superado, sem dinamismo.

ZH — Critica-se o Estado de bem-estar social?

Torreblanca — Há consenso de que o Estado de bem-estar social deve se manter e ser melhorado.

ZH — Há crise partidária na Europa, uma vez que os partidos estão à margem dos protestos?

Torreblanca — Há burocratização. No sistema de listas (o eleitor não vota nos candidatos, mas em listas partidárias), os políticos têm mais lealdade ao partido do que ao eleitor e são menos críticos.

ZH — As atuais manifestações de rua são comparáveis às de maio de 1968?

Torreblanca —
Sim, é como em 1968, em vários aspectos. Tanto em 1968 quanto agora, são movimentos sem um projeto definido para ser implantado. Não há consequências em termos políticos, só pessoais, com a politização dos manifestantes.

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