06/06/2010 | 00h06

Sobra de vagas na área de TI possibilita ascensão rápida na carreira

Anualmente são abertas 1,5 mil vagas que a quantidade de profissionais formada não consegue atender

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Sobra de vagas na área de TI possibilita ascensão rápida na carreira Adriana Franciosi/
Aos 23 anos, há cinco no mercado, Ana já é coordenadora de segurança digital Foto: Adriana Franciosi
A falta de profissionais no segmento de TI cria a possibilidade de carreiras meteóricas. Gustavo Ávila, por exemplo, tem atrás de si uma trajetória bem-sucedida numa das quase 5 mil empresas especializadas na criação de softwares para o mercado de informática no Rio Grande do Sul.

Já no primeiro semestre de faculdade, Gustavo conseguiu estágio como testador – aquele profissional que aplica o software para saber se está de fato funcionando ou não. Um ano depois, foi efetivado na função e teve um aumento. Mais um ano e foi promovido a programador. Quando se formar no curso de Sistemas de Informática, no fim do ano, vai se especializar em análise de sistemas e terá a possibilidade concreta de gerenciar projetos de informática na mesma empresa onde começou há quatro anos. Haverá a respectiva repercussão no contracheque. Tudo isso antes de completar 25 anos de idade.

– Tem de estudar muito, isso é verdade, especialmente matemática e lógica. Mas, por outro lado, todos os meus colegas de curso, sem exceção, estão em bons empregos e não há nenhuma preocupação com o futuro. Só não trabalha quem não quer – sintetiza o estudante.

Apenas na empresa onde Gustavo atua, a DBServer, são entre seis e 10 vagas abertas permanentemente e que dificilmente são preenchidas. No segundo semestre, quando uma nova unidade do Parque Científico e Tecnológico da PUCRS, o Portal Tecnopuc, estiver funcionando em um prédio de 15 andares que está em fase final de construção, serão mais 2,5 mil vagas. Para uma formação de 800 profissionais de nível superior por ano, o mercado abre 1,5 mil vagas.

O presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação – regional Rio Grande do Sul (Assespro-RS), Reges Bronzatti, diz que o apelo pelos cursos tradicionais – medicina, direito, administração – ainda é forte demais na cabeça dos jovens:

– A informática é vista como difícil e chata, feita para gênios. A evasão de cursos universitários é de 50%. Com exceção da PUCRS e da UFRGS, em todos há vagas sobrando.

Empresas buscam alunos antes de terminarem curso

Se engana quem pensa que Gustavo ou seus colegas de empresa, a maioria entre 20 anos e 30 anos, fazem o tipo clássico do nerd – aquele sujeito com óculos fundo de garrafa, que abotoa a camisa até a última casa e tem como principal diversão uma partidinha de xadrez, de preferência com o computador. Tanto o estudante quanto a sua colega de trabalho, Ana Scheffel, 23 anos, são jovens que trabalham, estudam e se divertem na mesma proporção. Ana, que é coordenadora da área de suporte e infraestrutura, não escolheu a informática só pelas boas e abundantes ofertas de trabalho, mas por vocação mesmo. Descoberta, por sinal, numa escola pública.

Ana se encantou pela informática no Colégio Estadual Dom João Becker, uma das três em toda a rede pública do Estado que mantém cursos na área de TI para alunos que já terminaram o Ensino Médio e pretendem desenvolver uma habilidade profissional. Durante três semestres, os estudantes podem se aperfeiçoar no desenvolvimento de softwares ou em sistemas de informática e, dali, buscar uma colocação profissional ou ingressar em uma universidade.

– As empresas vêm aqui buscar nossos alunos antes de terminarem os cursos. Também enviam e-mails, pedem currículos, é uma procura muito grande porque o ensino tem qualidade – sustenta a vice-diretora da escola, Tiana Gomes.

Mesmo assim, os problemas se acumulam. O maior deles é combater a evasão escolar, que beira os 50% – seja pelas dificuldades econômicas dos alunos, seja pela falta de informação sobre o curso. As duas turmas, que geralmente começam com 40 alunos, nunca chegam ao fim com mais de 25.

Tiana conta que muitos estudantes querem apenas aprender a digitar nas aulas do Dom João Becker ou, então, a consertar computadores para abrir uma oficina no bairro. No Colégio Estadual Protásio Alves, as dificuldades são parecidas. Dos 200 alunos matriculados nas primeiras turmas, em 2007, 40 se formaram.

Comentar esta matéria Comentários (5)

Rafael Cavalheiro Espindola

Realmente o que a pessoas falam acima é a mais pura verdade. Vemos uma série de Universidades e Escolas formando mão-de-obra especializada; e o que se vê? Que Sempre falta algo: seja o inglês, seja por questões de idade, ou por conhecimento específico de algum tipo de qualificação que a vaga necessita. Será que não está na hora das empresas investirem um pouco mais e apostarem mais nas pessoas, formando estes profissionais?

04/07/2010 | 02h21 Denunciar

josé roberto

As vagas sobram por burocracia das empresas. Moro em Esteio, sou técnico em informática, estudei em Porto Alegre, fiz o estágio curricular como voluntário na Prefeitura de Esteio, as empresas só dão chance para quem MORA EM PORTO ALEGRE, VAGA TEM, MAIS AS EMPRESAS DEVEM LEVAR EM CONTA QUE NÃO É TODOS QUE TEM OS PAITROCINIOS, EU TRABALHEI 6 ANOS COMO ESTOQUISTA PARA PAGAR MEU CURSO, PARA SER HUMILHADO, POIS PERDIA TEMPO INDO NAS ENTREVISTAS PARA GANHAR UM NÃO POR NÃO MORAR EM PORTO ALEGRE.

22/06/2010 | 11h57 Denunciar

Marcos

Esse assunto está mais do que batido, mas já se perguntaram porque isso acontece? As empresas só querem "sugar" os profissionais, pagando pouco para os que levam anos (e pagam caro) para ter uma formação na área de TI, sem contar que a maioria das "grandes oportunidades" as exigências estão fora da realidade. Outra coisa, infelizmente são poucas as instituições de ensino superior que realmente dão algum preparo de qualidade na área de TI, quem quer se prepara bem mesmo tem que ir embora de Santa Maria, pois aqui só existem cursos para "micreiros", especialização então nem se fala. Infelizmente Santa Maria tem muito ainda que caminhar para formar PROFISSIONAIS em TI.

07/06/2010 | 08h49 Denunciar

VAGNER

Olha... eu como profissional da area posso afirmar que sobram vagas pq as empressas estão pagando cada vez menos e exeigindo mais, a maioria vira autonomo pois rende mais em termos de grana! Chega ao extremo de oferecerem 600 pra um tecnico com experiencia, essa media acima de mil reais pra tecnico não condiz com a realidade!

06/06/2010 | 12h52 Denunciar

antonio saldanha

É de se admirar o Estado do Rio Grande do Sul dizer que não possui verba para investir na Educação Profissional.Os dirigintes desta pasta esqueceram de contar os altos investimentos do governo federal para esta oferta aqui no Estado.é só lembrar dos CEFETS que estão sendo construido bem como os centros de referencia que foi autorizado com verba federal.Aconselho está editora a contatar com a Secretaria da Educaçao Profissional do MEC. Antonio Saldanha

06/06/2010 | 10h23 Denunciar

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