22/05/2010 | 14h27

Projeto qualifica deficientes para o mercado de trabalho

No Rio Grande do Sul, cerca de cem aprendizes com deficiência foram empregados em 2009

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Projeto qualifica deficientes para o mercado de trabalho Emílio Pedroso/
Gustavo Lemos e Marta da Silveira recebem ajuda de intérprete durante o curso Foto: Emílio Pedroso
Aline Bianchini, Especial
Há alguns anos, o governo se depara com a dificuldade de fazer com que as empresas cumpram com as cotas, previstas por lei, para contratação de pessoas portadoras de deficiência. O setor privado garante que está pronto para receber esses trabalhadores, mas que a falta de qualificação da mão de obra impede a contratação.

Em busca de uma solução, o Ministério do Trabalho e Emprego desenvolveu um projeto que prevê a profissionalização das pessoas com deficiência, física ou intelectual, por meio de cursos técnicos. Cerca de 65 empresas já aderiram ao projeto em nove Estados e no Distrito Federal.

No Rio Grande do Sul, cerca de cem aprendizes com deficiência foram empregados em 2009, e a expectativa, segundo a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), é de que esse número quadruplique em 2010.

Para cada turma, dependendo das necessidades dos alunos, é montado um currículo que prevê aulas teóricas, em instituições de ensino, e práticas, em empresas parceiras. Após a qualificação, pela qual recebem o piso regional proporcional às horas de aprendizagem e têm carteira de trabalho assinada, os profissionais têm a chance de ser contratados pela companhia acolhedora.

— Depois que a pessoa está preparada para determinada função, esquecemos a deficiência porque ela passa a produzir como qualquer outro funcionário. Estamos fazendo uma ação de dignidade humana e, ao mesmo tempo, criando condições para que a lei seja cumprida — afirma José Zortéa, diretor regional do Senai, instituição parceira da iniciativa.

Dois segmentos, em especial, têm sido contemplados nos cursos de aprendizagem do Rio Grande do Sul. Segundo Ana Costa, auditora do trabalho da SRTE e coordenadora do projeto, são os deficientes auditivos, que sempre tiveram dificuldades de qualificação pela falta de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais, e as pessoas com deficiência intelectual, para quem os obstáculos são a exigência de escolaridade e alfabetização e a falta de metodologia adaptada as suas necessidades.

A Stihl, empresa com sede em São Leopoldo, já conta com 60 funcionários portadores de deficiência. Entre eles, oito jovens deficientes intelectuais, do curso de aprendizagem do Senai, que trabalham no setor de expedição e logística. Para Karin Leitzke, gerente de recursos humanos da companhia, a oportunidade é ótima não só para que os aprendizes aumentem sua autoestima, mas também para que suas famílias passem a acreditar em suas capacidades.

— A família é ponto-chave para o desenvolvimento desses jovens, por isso, ela também tem de acreditar que o deficiente é capaz de ser incluído no mercado de trabalho — destaca Karin Leitzke, gerente de recursos humanos da companhia.

Além dos cursos de aprendizagem em funcionamento, é possível solicitar novos cursos de qualificação de acordo com as necessidades de cada município, dia Paulo Kroeff, presidente do Conselho Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

Prontos para vencer

Conquistando uma profissão. É o que os estudantes Gustavo Lemos e Marta da Silveira, ambos com problemas auditivos, dizem, por meio de sinais. A frase resume a expectativa dos cerca de 20 jovens surdos que desde a semana passada se reúnem na sede do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em Porto Alegre, para receber capacitação.

O objetivo é desempenhar funções de assistente administrativo em empresas. Dois dias de aula foram suficientes para que a turma de qualificação profissional voltada para deficientes auditivos demonstrasse total entrosamento e desinibição. Com ajuda de uma intérprete, o professor Carlos Eduardo de Morais se comunica com os alunos e se surpreende com a intensa participação nas aulas.

Dentro do conteúdo previsto, ele pretende ensinar questões de administração, ética profissional, português e desenvolver capacidades de comunicação escrita.

— As vagas oferecidas para este público são, geralmente, de serviços gerais. A intenção é capacitar essas pessoas para que possam se posicionar melhor nas empresas e ter variedade de oferta de emprego — afirma o professor.

Gustavo Lemos, 27 anos, estudante de Letras - Libras, vê na qualificação a possibilidade de um futuro profissional promissor. Apesar de nem sempre ter contado com o apoio da família, Lemos trabalhou em várias empresas e em uma associação de surdos.

— Sempre busquei me aprimorar e me manter ativo, sei que sou capaz. Já trabalhei e estudei em São Paulo, voltei para cá e quero continuar aprendendo — diz o jovem através da intérprete.

Para a colega de turma Marta da Silveira, 15 anos, o apoio familiar veio de imediato, já que todos em sua família - seus pais e duas irmãs - são deficientes auditivos. Assim como Lemos, a menina espera se qualificar para aumentar suas opções no mercado de trabalho. Assim que a turma terminar o conteúdo teórico no Senai, os alunos serão encaminhados para empresas, onde poderão aprender, na prática, os conceitos aprendidos em sala de aula.

— É uma experiência muito rica. As empresas estão se preparando para receber profissionais portadores de deficiência. O que falta é a qualificação, que procuramos dar aqui — diz Maria Teresa Souza Leitune, coordenadora do curso de aprendizagem.

Ainda com matrículas abertas, o Senai oferece curso de capacitação para assistente administrativo voltado para deficientes intelectuais, em Porto Alegre, e de mecânico de manutenção de máquinas, para deficientes auditivos, em Gravataí.

O QUE DIZ A LEI

A cota para contratação de pessoas portadoras de deficiência depende do número de empregados que a empresa possui em seu quadro, conforme estabelece o art. 93 da Lei nº 8.213/91:

de 100 a 200 empregados - 2%
de 201 a 500 - 3%
de 501 a 1.000 - 4%
de 1.001 em diante - 5%

COMO PARTICIPAR

Pessoas portadoras de deficiência interessadas em participar do programa de qualificação podem procurar as seguintes instituições:

Senai
Telefone: (51) 3347-8800
Site: www.senairs.org.br

Senac
Telefone: (51) 3211-3579
Site: www.senacrs.com.br
E-mail: senaccomunidade@senacrs.com.br

Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/RS)
Telefone: (51) 3213.2864
Site: www.mte.gov.br
E-mail: nit.drtrs@mte.gov.br

Faders
Telefone: (51) 3228-2118 (ramal 218)
Site: www.faders.rs.gov.br
E-mail: trabalho@faders.rs.gov.br

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