Driblando projeções sobre a taxa de juro, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que a meta de inflação e a Selic são os únicos remédios que funcionam contra a alta de preços.
– Esse não é o remédio só do governo brasileiro, como falam, é do mundo inteiro. Todos os bancos centrais do mundo usam – disse Meirelles em entrevista concedida ao programa Estúdio Rural, do Canal Rural, pela manhã.
Logo após o programa, apresentado por Irineu Guarnier Filho e que vai ao ar amanhã, o presidente do BC falou com a repórter de Zero Hora Suzana Naiditch. A seguir, confira os principais trechos da entrevista.
As previsões de inflação estão se afastando do centro da meta. É possível concluir o governo Luiz Inácio Lula da Silva com a inflação dentro da meta de 4,5%?
Henrique Meirelles – A nossa projeção, considerando todas as medidas que serão tomadas pela autoridade monetária, é de uma inflação de 4,5% nos próximos 12 meses e um pouquinho abaixo de 4,5% para 2011. Portanto, a previsão é que o Banco Central está comprometido e vai entregar o nosso chamado horizonte relevante, a inflação na meta.
E, entre as medidas que serão tomadas, é possível que na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) neste mês ocorra a primeira alta de juros em 17 meses?
Meirelles – As previsões nós deixamos para os analistas financeiros e econômicos. Apenas um Banco Central do mundo, o da Suécia, tem como metodologia de ação fazer uma estimativa de decisões futuras.
As medidas para reduzir os efeitos da crise serão retiradas?
Meirelles – Já estamos crescendo independentemente dos estímulos. A renda está crescendo, e o desemprego está baixo. São válidos para sair da crise. O papel do governo agora é investir em infraestrutura. Está na hora de acabar com os estímulos anticrise.













