Carreira08/12/2012 | 16h01

Profissão sonhada se mantém além da infância

Muitas pessoas permanecem na vida adulta com a mesma escolha feita quando crianças

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Profissão sonhada se mantém além da infância  Diego Vara/Agencia RBS
Quando criança, o engenheiro civil Ricardo Schmitt gostava de brincar com peças de montar Foto: Diego Vara / Agencia RBS
Maria Amélia Vargas

maria.amelia@zerohora.com.br

Ninguém nasce talhado para exercer um ofício, interesses profissionais costumam se transformar no decorrer da vida. Em alguns casos, entretanto, a resposta para a inevitável pergunta "o que você quer ser quando crescer" segue inalterada e as habilidades adquiridas na infância se concretizam em uma carreira bem-sucedida.

Pesquisa realizada pelo LinkedIn — uma rede social de trabalho — perguntou a 8 mil pessoas sobre as aspirações profissionais que tinham na infância e quantos exercem essas atividades atualmente. Um em cada três usuários ao redor do mundo (30,3%) afirmou que trabalha atualmente naquilo que sonhou quando criança ou segue em uma área relacionada.

O resultado surpreendeu Marcelo Cassales, diretor da Coach Consultoria em Desenvolvimento Humano, que acreditava em um índice menor de indivíduos capazes de seguir a escolha primária na vida adulta.

— O normal é que se troque de opinião várias vezes na medida em que a gente vai se inteirando sobre as profissões e ampliando os horizontes, experimentando outras coisas — destaca Cassales, confirmando outro dado da pesquisa: a grande maioria (43,5%) assinalou a afirmativa "Conforme fui ficando mais velho, acabei me interessando por uma carreira diferente" como principal razão para atuar em uma área diferente da que pensava quando pequeno.

De acordo com Simoni Missel, consultora de carreira e diretora da Missel Capacitação Empresarial, são diversas as razões que levam as pessoas a mudar a opção profissional. As mais frequentes são influências do meio em que vivem, oportunidades inesperadas e grandes decepções ao longo da carreira (que podem gerar conflitos e bloqueios internos em relação a determinadas atividades).

É importante a participação dos pais no processo, alerta Marco Teixeira, coordenador do Núcleo de Apoio ao Estudante da UFRGS. Ampliar o leque de informações dos filhos, oportunizando experiências diversas ajuda no momento da decisão profissional.

— Não acredito em direcionar alguém a alguma profissão e fechar para outras possibilidades, mas em estar atento para perceber as habilidades da criança e ajudá-la a descobrir o que ela gosta. Assim, ela terá condições de fazer as suas escolhas de acordo com as suas preferências, valores e estilo de vida — explica o professor.

Engenheiro faz parte da geração Lego

No ranking das escolhas dos profissionais brasileiros (quadro abaixo), a Engenharia está no topo da lista das preferências masculinas. Para Marcelo Cassales, diretor da Coach Consultoria em Desenvolvimento Humano, esse resultado faz todo o sentido:

— Os usuários do LinkedIn são formados, na sua maioria, por integrantes das gerações X e Y. Ou seja, a "geração Lego", que brincou muito de construir e desconstruir.

Foi exatamente isso que ocorreu com o engenheiro civil Ricardo Schmitt (foto), 30 anos, de Porto Alegre. Aficionado pelos brinquedos de montar quando criança, não teve dúvidas quando chegou o momento de tomar as decisões profissionais.

— Eu adorava brincar com Lego e com uns tijolinhos de madeira. Ficava horas me distraindo com as peças e, quando via, o dia já tinha passado. Além disso, gostava de observar meu pai projetando silos. E tudo isso me ajudou a perceber a minha vocação — conta Schmitt, que hoje trabalha na Nex Group.

As preferidas

A pesquisa descobriu que as principais profissões dos sonhos na infância para os homens no Brasil eram:

Engenheiro (15%)

Piloto de avião ou helicóptero (7,9%)

Professor (7,4%)

Cientista (6,6%)

Atleta profissional ou olímpico (5,1%)

As mulheres no Brasil diziam o sonho delas era ser:

Professora (15,6%)

Médica, enfermeira ou técnicas de enfermagem (6,2%)

Escritora, jornalista ou romancista (5,6%)

Veterinária (5,6%)

Advogada (5,6%)

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