Trabalhar em serviços gerais no Exterior é encarado com bons olhos, mas exercer a mesma função no Brasil não parece ter o mesmo charme. Recebendo em dólar ou em euro, a área da limpeza costumava ser a porta de entrada do brasileiro no mercado de trabalho fora do país. Com a crise nos Estados Unidos e na Europa e a ascensão da classe C nacional, muitas pessoas estão voltando à terra natal com outro olhar sobre a atividade e apostando na função como forma de retomar a carreira.
Nos três últimos anos, a Brucke — que atua na prestação de serviços de apoio e terceirização de mão de obra — percebeu um crescente interesse de pessoas em busca de recomeçar a vida profissional. Na avaliação de Luis Roberto Lima da Silva, diretor da empresa, a experiência com outras culturas e a fluência de um segundo idioma diferencia esses profissionais (muitos com formação superior).
— Geralmente, eles voltam com outro conceito sobre a atividade, trazem novos métodos e ferramentas. Além disso, são pessoas com postura diferenciada, comprometidas e capazes de entender a importância da função — destaca o diretor da Brucke.
Para Henrique Gerstner, das escolas e Faculdades QI, aqueles que vão para o Exterior com o único objetivo de juntar dinheiro e não buscam qualificação acabam tendo a atividade de serviços gerais como única opção de recolocação no mercado ao voltar.
— Não basta saber se comunicar em língua estrangeira e não ter capacidade de redigir um texto, por exemplo. Retornar para o Brasil sem estudo e sem dinheiro levará a pessoa a exercer serviços braçais. Em compensação, se estudar e investir na carreira, o fato de ter morado fora e saber se comunicar em outro idioma será um diferencial no currículo — diz Gerstner.
Além de ser uma oportunidade de reingresso, o chamado setor de higienização empresarial oferece boas chances de crescimento de carreira, afirma Flávio Nascente dos Santos, diretor da AST Facilities.
— Se a pessoa tiver ambição, pode se tornar um líder em dois anos — completa Santos.
Apesar disso, a remuneração inicial para a atividade ainda é considerada baixa. Entre os principais obstáculos para contratar pessoal nessa área, avalia Raquel Costa, consultora na empresa RH Tempo, está a disparidade entre a necessidade de contratar e o valor pago para o exercício de uma função que exige baixa escolaridade.
Elsa e o aprendizado
no Japão
Após oito anos morando no Japão, Elsa Susana Tone, 54 anos, voltou para o Brasil em junho. Com o marido doente, precisava trabalhar e encontrou a oportunidade na área de serviços gerais. Em pouco tempo, estava empregada nas lojas Hemb, na Capital.
— Para 2013, pretendo fazer cursos para buscar crescimento na carreira — almeja.
A temporada no oriente ajudou Elsa a ter um diferencial:
— Aprendi com os japoneses a ser pontual, disciplinada, organizada e eficiente. No início, o pessoal aqui estranhava a rapidez com que eu fazia o serviço. Em uma ocasião, ajudei vendedores da loja a atenderem clientes do Japão.
Mogar e a qualificação na Espanha
Como a última experiência profissional de Mogar Tupinambá Bispo da Costa, 34 anos, na Espanha, tinha sido na área da limpeza, ao retornar para o Brasil, no ano passado, decidiu que seria no mesmo ramo que voltaria ao mercado brasileiro. Depois de cursar Gestão de Comércio e Marketing, em Barcelona, percebeu que as habilidades adquiridas no Exterior o credenciavam a um crescimento mais rápido na carreira.
— Como sou especialista em limpeza, entrei na Panambra na função de encarregado, uma espécie de supervisor. Agora, faço um curso técnico em edificações, pois assim estarei habilitado a crescer ainda mais — prospecta Costa.
Dicas para profissionais e empresas
Como aproveitar
a oportunidade:
— Mostre-se disposto e pró-ativo
— Ter pontualidade é fundamental
— Apresente novas soluções para resolver questões de sua área de atuação
— Faça cursos de qualificação
— Peça feedback para o seu líder
Como a empresa pode reter pessoal
— Cuide para que o líder da equipe instrua bem os novatos
— Combine previamente o roteiro de atividades para a função
— Tenha um bom plano de carreira
— Ofereça cursos de qualificação
— Elogie e valorize o trabalho feito
Diferenciais de pessoas que já exerceram atividades no Exterior
— Falam um segundo idioma e conhecem novas culturas
— Trazem ferramentas e técnicas do país no qual trabalharam
— Valorizam a atividade da mesma forma como é valorizada no país em que trabalharam













