Oportunidades20/08/2012 | 08h07Atualizada em 20/08/2012 | 08h50

Sobram vagas para garçons

Quem está trabalhando no ramo e percebe uma chance em outra área, muitas vezes, deixa o emprego

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Sobram vagas para garçons Andréa Graiz/Agencia RBS
Após uma década trabalhando como vendedora e três anos como manicure, Rejane Machado percebeu a vocação para garçonete Foto: Andréa Graiz / Agencia RBS

Vagas de sobra e pouca mão de obra interessada. A frase define o momento da profissão de garçom.

— Há três ou quatro anos, se procurava atendente e nem se chegava a colocar uma tabuleta. O setor absorvia essa mão de obra jovem e sem experiência. Mas onde estão esses jovens? Será que estão na informalidade? — questiona o presidente do Sindicato de Hotelaria e Gastronomia de Porto Alegre (Sindpoa), José de Jesus Santos.

Para o presidente do Sindpoa, como o mercado está aquecido e há oportunidades em diversos segmentos, por vezes, quem está no ramo da gastronomia percebe uma chance em outra área, considera mais interessante, e deixa o emprego de garçom.

— No nosso segmento, a pessoa entra como atendente e pode virar empresário, ter seu próprio restaurante. É um ramo que oportuniza galgar outros postos, se tiver vontade pode avançar. Mas tem de gostar, tem de ter vocação — ensina.

E foi a vocação que mobilizou a garçonete Rejane Lemos Machado a começar na profissão aos 36 anos: depois de 10 anos como vendedora e outros três como manicure, notou que seu caminho era outro. Fez o curso de garçom no Senac e, ao se formar, em julho, já recebeu proposta de emprego.

— Agora, me achei. Sempre gostei de trabalhar com o público, mas ser garçonete é diferente. É ótimo perceber que as pessoas estão satisfeitas com o teu trabalho, saber que estás sendo educada com os clientes. Eu gosto de ser bem atendida quando vou nos lugares, e procuro fazer isso com quem atendo — explica a moradora de Alvorada.

A opinião da trabalhadora, que recebe em torno de R$ 1 mil para trabalhar das 10h às 15h30min e ainda atua em eventos à noite, é parecida com a do presidente do Sindpoa.

— Atender as pessoas é cativante, dá retorno. Temos de acolher e proteger o cliente como se o restaurante fosse a extensão da casa dele — diz Rejane.

Para José Santos, os garçons buscam qualificação — muito por conta da Copa — porque sabem que quem estuda consegue postos melhores.

Apaixonado pela profissão que desempenha há 28 anos, o professor dos cursos de garçom, barman e maître do Senac e Sindpoa Edson Vanderlei dos Santos Dias, 48 anos, acredita que garçons sem formação e que veem o ofício como um bico podem estar deixando a profissão. Para Santos Dias, o trabalho do garçom faz a diferença:

— Hoje, arquitetos se esmeram no ambiente dos restaurantes, comidas são gostosas. O diferencial está no serviço qualificado e bem treinado.

O apagão de mão de obra no setor

Há muitas vagas em aberto para garçons, afirma a presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Fernanda Etchepare. O apagão desse tipo de mão de obra teria começado há dois anos.

— É uma posição em que, muitas vezes, não se exige experiência anterior, pode ser o primeiro emprego — afirma Fernanda.

Na sua avaliação, o que afasta candidatos é o horário de trabalho, especialmente à noite e aos finais de semana.

— O transporte público noturno é precário, e a segurança é complicada. Em geral, são pessoas que moram na periferia e, para as mulheres, é ainda mais difícil — conta Fernanda.

Sobre a falta de interesse por conta do horário, a presidente da Abrasel ressalta:

— É ruim, mas tem folga. Tem de adaptar a vida e avaliar as chances de crescimento. Nosso setor é para quem pensa no futuro.

Fique por dentro

Ganhos

— A remuneração média de um garçom é de R$ 1,2 mil a R$ 1,3 mil (a maioria das casas paga o salário da classe mais comissão) e há possibilidade de realização de trabalhos extras em eventos.

— Para iniciantes, o valor fica em R$ 800, mas pode chegar a R$ 2,5 mil com as comissões.

Perfil

— O candidato precisa ter postura pessoal e profissional: cuidar da aparência, do uniforme e saber tratar as pessoas, dominar técnicas da etiqueta.

— Quem quer se inserir no mercado geralmente busca o curso técnico, de 200 horas/aula.

— Além de equilibrar uma bandeja, o garçom precisa ter conhecimentos ainda mais importantes sobre o serviço de comida, bebida e recepção.

Fonte: professor do Senac Edson Dias e presidente da Abrasel, Fernanda Etchepare

Qualificação

— Para fazer o curso de garçom de graça pelo Senac, é preciso acompanhar a abertura de novas turmas pelo site www.senacrs.com.br/psg.

— Em Porto Alegre, inscrições (pelo mesmo site) podem ser feitas até dia 14. As aulas começam no dia 27. Quem não tem acesso à internet pode usar os computadores do Senac Comunidade (Praça Piratini, 76, bloco B, 3º andar, na Capital).

— Interessados em oferecer mão de obra na área podem procurar o Sindpoa e fazer cadastro. O endereço é Rua Doutor Barros Cassal, 180, sala 801, bairro Floresta. Mais informações em www.sindpoa.com.br ou pelo telefone (51) 3225-3300.

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