Caindo na real 09/06/2012 | 13h57

Pleno emprego ainda está distante dos jovens em busca da primeira oportunidade

Em Porto Alegre, a taxa de desocupação entre pessoas de 18 e 24 anos chega a 11,3%

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Pleno emprego ainda está distante dos jovens em busca da primeira oportunidade Emílio Pedroso/Agencia RBS
Bruna Lerina iniciou pós-graduação e contratou consultoria de carreira Foto: Emílio Pedroso / Agencia RBS

Situação privilegiada que o Brasil apresenta no ambiente de trabalho, o chamado pleno emprego ainda não é uma realidade para todos. Jovens em busca de sua primeira experiência profissional enfrentam um mercado que se mantém resistente a contratar pessoas sem experiência.

Em Porto Alegre, a taxa de desocupação entre pessoas de 18 e 24 anos chega a 11,3%, mais que o dobro da média entre todas as idades (4,7%), mostra o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

— A preferência das empresas por profissionais com experiência é comum em todas as capitais, mas em Porto Alegre é reforçada pelo perfil da economia voltada aos serviços, setor que por característica prima por pessoas mais velhas — explica Ademir Barbosa Koucher, supervisor de Informações do IBGE no Estado.

Chama a atenção o fato de que muitos dos setores da economia, como indústria e serviços, vêm reclamando de falta de mão de obra qualificada, mas nem por isso dão carta verde para seus que seus departamentos de recursos humanos saiam em busca de novos talentos.

Confira, no vídeo, dicas de especialistas para quem busca o primeiro emprego: 

Nos centros de emprego da Capital, boa parte das vagas tem como pré-requisito que o candidato já tenha exercido as atividades que encontrará no novo trabalho.

— Poucas empresas se dispõem a treinar os jovens. A maior parte teme arcar com prejuízos caso os novatos troquem de emprego ao final do treinamento — analisa José Marcio Camargo, professor de economia da PUC-RJ.

Jovens que pegam o canudo e partem para o mercado se surpreendem com a resistência das empresas em contratá-los. Formada em psicologia em fevereiro, Bruna Lerina, 23 anos, dedicou semanas a mandar currículos e contatar consultorias de RH.

Foi chamada para algumas entrevistas, mas os recrutadores apontavam falta de experiência como um limitador, pois os estágios de Bruna foram todos na área clínica.

— Muitas empresas se dizem dispostas a treinar, mas no momento de contratar acabam optando por alguém com experiência — afirma.

Para ampliar suas chances de contratação, Bruna iniciou um pós-graduação e contratou os serviços de uma consultoria de carreira. Recentemente, começou a prestar serviço não remunerado em uma clínica e passou a planejar a abertura de um consultório, mas não fecha as portas para a área privada.

O que afasta os jovens do mercado

Baixa qualificação
A baixa qualidade do ensino público torna insuficiente a qualificação média do trabalhador iniciante. As empresas têm de investir mais para prepará-lo para as atividades.

Pouco comprometimento
Ainda morando com os pais e sem a necessidade de buscar renda própria, parte dos jovens fica pouco tempo no emprego, deixando de acumular um conhecimento que abra novas portas.

Baixa remuneração
As empresas costumam oferecer menores salários para pessoas sem experiência. Resistentes, candidatos de primeira viagem pesquisam por mais tempo até encontrar uma vaga melhor.

Falta de experiência em funções específicas
lguns jovens exercem determinadas funções durante a faculdade e decidem atuar em outras áreas após a graduação. A falta de experiência se torna um problema.

Economia aquecida
A economia aquecida não beneficia todos da mesma forma. Muitas empresas preferem chamar profissionais experientes para aproveitar imediatamente as oportunidades.

Universo de pequenas empresas
Sem projetos de desenvolvimento profissional ou programas de trainee, as pequenas empresas, grande maioria no país, preferem contratar profissionais já prontos a treinar os iniciantes.

Como conquistar o primeiro emprego

– A falta de experiência pode ser compensada com trabalhos voluntários ou temporários, especialização em idiomas, participação em seminários e congressos, intercâmbio no Exterior e participação em grupos de pesquisa.
– Fazer estágios no ramo específico da profissão em que se pretende seguir depois de formado é um bom passo para conhecer as tarefas e se habituar a um ambiente de trabalho.
– Não seja tão exigente quanto a salário e porte de empresa. A primeira experiência pode ser apenas um trampolim para algo maior dentro ou fora da companhia.
– Escolha em uma empresa e faça-a saber que você está interessado. Conhecer sua história, seus concorrentes e suas oportunidades de mercado transmite a mensagem de familiaridade com o negócio.
– Informe-se sobre as empresas que oferecem programas de desenvolvimento de carreira e invistem em novos talentos. Aproxime-se delas.

Comentar esta matéria Comentários (1)

Mielo

O jovem preparado não encontra concorrência. Esse tem emprego certo a escolher.

10/06/2012 | 07h18 Denunciar

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  • farina_erik

    farina_erik

    Erik FarinaRoupas e calçados devem puxar alta de 8% nas vendas para o Dia das Mães, projetam lojistas de Porto Alegre. Data movimentará R$ 79 mi.há 6 horas Retweet
  • farina_erik

    farina_erik

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