Inclusão social16/06/2012 | 16h52

Faltam vagas em cargos de liderança para pessoas com deficiência

Lei de Cotas garante acesso ao mercado de trabalho, mas ainda não assegura desenvolvimento de carreira

Enviar para um amigo
Faltam vagas em cargos de liderança para pessoas com deficiência Felix Zucco/Agencia RBS
Paulo Roberto afirma que deficiência não atrapalha o desempenho no trabalho Foto: Felix Zucco / Agencia RBS
Natália Leal

O espaço no mercado de trabalho para pessoas com deficiência está garantido por lei. Mas o desenvolvimento da carreira desses profissionais ainda é raro e poucos chegam a cargos de gestão e liderança. Uma pesquisa do site de carreira vagas.com.br indica que apenas 3% das oportunidades de trabalho para esses profissionais se destina a preencher vagas de comando de equipes e de estratégia.

- Esse levantamento mostra que há discrepância entre as ofertas oferecidas para esse e os demais públicos e que algumas empresas estão utilizando a Lei de Cotas para preencher cargos operacionais - explica Luis Testa, gerente de vendas do site que realizou a pesquisa.

No entanto, a falta de qualificação também é um entrave na hora de desenvolver a carreira. Fernando Marques, sócio-diretor de uma agência especializada em recrutamento de pessoas com deficiência, garante que muitos ainda não têm consciência da necessidade de uma formação para chegar mais longe.

- A pessoa com deficiência é um candidato com potencial a ser explorado, mas deve haver o cuidado em diagnosticar suas habilidades e limitações. É fundamental a conscientização dos próprios profissionais quanto à importância da qualificação, assim como o apoio das empresas a esse trabalhador- ressalta.

A valorização do trabalhador

José Pereira de Lima garante que seu empenho e força de vontade foram determinantes para que ele chegasse ao cargo de supervisor-geral de manutenção em uma empresa de terraplenagem na Região Carbonífera. Lima ingressou na companhia como mecânico, há 16 anos. Há oito, virou supervisor e passou a coordenar uma equipe de 63 pessoas. Mesmo com dificuldade para caminhar, sequela de uma poliomielite, Lima viaja por diferentes cidades para inspecionar o reparo de máquinas.

Braço direito de Lima, o supervisor de turno Pedro Sérgio Teixeira Marques é quem coordena os funcionários da manutenção à noite. Marques começou como mecânico e hoje supervisiona o trabalho de cerca de 30 operários. Deficiente visual, garante que o relacionamento com a equipe é ótimo.

- Aqui me sinto valorizado, porque eles acreditam em mim, independentemente da minha dificuldade - conta.

A psicóloga responsável pelo recrutamento na empresa, Simone Brum, conta que a direção da unidade gaúcha, onde Lima e Marques atuam, admira o trabalho dos dois.

- Eles são extremamente respeitados. Eles escutam muito e, mais do que chefes, são líderes.

Ajudar pessoas também pode garantir crescimento

Em 2008, quando Paulo Roberto Peres começou a trabalhar como segurança do trabalho em uma empresa de construção civil, sua área de atuação se resumia a um único canteiro de obras em Canoas. Quatro anos depois, passou a técnico de segurança pleno e divide o tempo entre 12 construções, todas em Porto Alegre.

Sob a orientação do jovem de 28 anos estão 12 técnicos, responsáveis por garantir a segurança dos operários que erguem edifícios em diferentes bairros da Capital.

- A empresa viu que eu poderia ajudar colegas além do meu canteiro de obras. E comecei a ir a outros lugares e dar apoio a outros - conta.

Peres tem um encurtamento de seis centímetros em uma das pernas e usa uma palmilha para diminuir a diferença e facilitar o caminhar. Para Peres, a deficiência não atrapalha em nada o desempenho das funções, entre as quais, o planejamento de segurança das obras, o treinamento de operários e a ambientação de novos funcionários.

- Eu me orgulho muito de chegar onde cheguei. Quando eu tinha 10 anos, me diziam que era para eu ter uma perna só. Hoje, eu corro e faço tudo o que eu tenho de fazer, naturalmente. E tem muita gente que nem sabe do problema que eu tenho - conta.

O que diz a lei

A Lei de Cotas prevê que toda a empresa que tiver cem ou mais empregados deve reservar parte de suas vagas para pessoas com deficiência, na seguinte proporção:

Até 200 empregados: 2%

De 201 a 500 empregados: 3%

De 501 a 1 mil empregados: 4%

De 1.001 em diante: 5%

Fonte: artigo 93 da Lei 8.213/1991

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga perfis de Economia no Twitter

  • farina_erik

    farina_erik

    Erik FarinaReal foi a 2ª moeda que mais valorizou em abril: 4,63%. Só fica atrás da Rupia Indonesia (6,41%), mostra consultoria CMA.há 1 diaRetweet
  • blogdavanessa

    blogdavanessa

    BlogdaVanessaResumão tech da semana: http://t.co/3kTKBVkzybhá 3 diasRetweet
clicRBS
Nova busca - outros