Cooperativismo12/12/2013 | 18h45

Aulas de gestão para para manter os jovens no campo

Iniciativas no Vale do Taquari ajudam produtores e seus filhos a melhorarem a administração das propriedades

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Aulas de gestão para para manter os jovens no campo Éderson Moisés Käfer/Divulgação
Associados ou filhos, de 16 cidades, participam do programa Foto: Éderson Moisés Käfer / Divulgação

Os números da primeira turma do Programa de Sucessão Familiar da Cooperativa Languiru, com sede em Teutônia, no Vale do Taquari, são uma mostra do avanço que o tema gestão está ganhando no campo. O grupo conta com 118 alunos, associados ou seus filhos, produtores de aves, suínos ou leite. O mais jovem da turma, Júnior Mateus Walter, tem 14 anos.

Em aula e na prática, passarão por temas como produção agropecuária e técnicas de gestão em diferentes áreas — como tecnologias de informações gerenciais, de custos e finanças, de resultados e de projetos.

— O programa tem ligação direta com o futuro da cooperativa. Com o conhecimento, os associados terão mais facilidade de gerir suas propriedades e a própria cooperativa — explica o vice-presidente da Languriu, Renato Kreimeier.

Paulo Roberto Birck, 33 anos, de Estrela, já iniciou na prática a sucessão familiar. A propriedade dos pais, Paulo Jacob e Glaci, foi uma das seis selecionadas pela Languiru como geradora de informações gerenciais que serão analisadas pelos alunos.

— A agricultura vive um novo momento em que percebe a importância dos estudos e da qualificação para sua eficiência. As propriedades rurais são empresas e precisam ser geridas e organizadas, com controle financeiro de tudo — analisa Birck.

Presidente da cooperativa, Dirceu Bayer ressalta que o ganho vai além da propriedade. Com a melhor qualificação dos associados, o reflexo será percebido no futuro dos jovens e da própria Languiru.

— Essa é uma oportunidade para todos crescerem juntos, com conhecimento técnico, gerencial e administrativo, com a melhora dos índices de produtividade e formando novas lideranças — avalia Bayer.

Lucildo Ahlert, consultor em gestão de empreendimentos rurais e coordenador do curso, ressalta, ainda, que é fundamental o entendimento entre diferentes gerações:

— Os filhos precisam participar do negócio. Mais do que o trabalho físico, devem implantar atividades de planejamento e gerenciamento.

Veja como é a estrutura do programa desenvolvido pela cooperativa

* O Programa de Sucessão Familiar da Languiru tem 118 inscritos, A maioria dos alunos é homens. Há apenas 15 mulheres. Ao todo, serão 26 meses de formação, com a conclusão do curso em dezembro de 2015.

* Os alunos são moradores de Teutônia, Colinas, Travesseiro, Estrela, Imigrante, Westfália, Cruzeiro do Sul, Arroio do Meio, Paverama, São Pedro da Serra, Mato Leitão, Santa Clara do Sul, Fazenda Vilanova, Bom Retiro do Sul, Cruzeiro do Sul e Maratá.

* Dividido em módulos, o conteúdo une teoria e prática, com encontros mensais e visitas sistemáticas a propriedades com a implementação de sistemas informatizados de gestão. O conteúdo é repassado em encontros mensais e visitas a seis propriedades, onde atuarão na implementação de um sistema de gestão real, coletando e analisando os dados.

* A visita nas propriedades geradoras de informações prevê instalação de ferramentas de controle de dados, levantamento patrimonial, planejamento dos gastos da propriedade, custos por atividade, receitas e dados da produção por atividade, montagem de projetos, sucessão familiar e avaliação final.

Um dia para troca de experiências

Para qualificar e estimular os jovens produtores, outra iniciativa, coordenada pela cooperativa a Dália Alimentos, de Encantado, também no Vale do Taquari, revela o interesse em melhorar a administração das propriedades. O Encontro Anual de Jovens reuniu 230 pessoas para compartilhar ideias e falar sobre sucessão rural, no sábado passado.

O primeiro a apresentar seu relato foi Diogo Zambiasi, 28 anos, de Nova Bréscia, que após a inserção ao projeto passou da média 18 para 23 litros de leite por vaca, diarimente. Ele contou como aplicou as aulas do projeto Sucessão Rural, desenvolvido pela Dália desde fevereiro, com 11 famílias.

— Com pequenos ajustes, nossa lucratividade aumentou de 18% para 50%. Depois do curso, abri minha mente. Se trabalha menos e se ganha mais — revela Zambiasi, afirmando ainda que a família traçou metas para os próximos 20 anos, entre as quais criar uma reserva de fundos para investimentos.

Ana Rizzi, mãe de Henrique, 24 anos, de Doutor Ricardo, contou ao grupo que, após as aulas, a família começou a trabalhar com planejamento, aumentando as metas e investindo na compra de um trator. Vice-presidente da Dália, Pasqual Bertoldi ressaltou no encontro a importância de os jovens participarem da administração da propriedade.

— Vocês são o futuro, a continuidade do que seus pais construíram com esforço. Busquem conhecimento, porque no passado quem não estudava ficava na roça. Hoje, quem não estuda nem na roça fica — alertou Bertoldi.

 

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