Produção recorde23/03/2013 | 06h02

Safra de soja estimula a economia gaúcha

Colheita do grão começou oficialmente hoje no Estado com projeção de render 12,2 milhões de toneladas

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Safra de soja estimula a economia gaúcha Diogo Zanatta/Especial
Dallanora e filho Afonso comemoram a produtividade de 50 sacas por hectares, o que representa o dobro do ano passado, em decorrência da seca Foto: Diogo Zanatta / Especial

Os resultados de uma safra recorde, como se projeta para a colheita gaúcha de soja neste ano, são comemorados tanto no campo quanto na cidade. Serão 12,2 milhões de toneladas para amenizar o trauma e os danos causados pela última quebra de safra, em 2012, quando a seca reduziu pela metade a colheita de soja no Rio Grande do Sul.

Apenas com a venda do grão, na cotação atual próxima de R$ 58 por saca de 60 quilos, devem ser injetados na economia gaúcha cerca de R$ 12,3 bilhões, calcula o economista Antônio da Luz, da Federação da Agricultura do Estado (Farsul). Apesar de a abertura oficial da colheita estar marcada para este sábado, em Tupanciretã, 20% dos 4,5 milhões de hectares cultivados já estão colhidos. A área é 9,7% maior do que em 2012.

De acordo com o economista Rodrigo Feix, da Fundação de Economia e Estatística (FEE), a boa safra vai alimentar os demais segmentos da economia gaúcha:

– O setor de prestação de serviços e o comércio serão bastante beneficiados. O aumento da renda do produtor acaba se refletindo em consumo, principalmente no Interior do Estado, onde a atividade produtiva é o motor da economia.

Cerca de 30% da safra já está comercializada

O consumo citado por Feix virá de produtores como Celso Dallanora, 61 anos, morador da Linha São Pedro, de Tapera, no Norte do Estado. Ele estima que fechará a temporada colhendo 50 sacas por hectare e comemora. Mesmo com um princípio de estiagem entre janeiro e fevereiro, garantiu o bom desenvolvimento das plantas com a tecnologia empregada pelo filho Afonso, 31 anos, técnico agrícola.

– Mesmo com a estiagem, as plantas se desenvolveram com uma boa estrutura. No fim do ciclo voltou a chover, e a soja se recuperou. A gente planta com alta tecnologia em insumos, na adubação e nos inseticidas – observa Dallanora, que com os recursos da colheita pretende quitar as dívidas que restaram devido à seca do ano passado, quando colheu apenas 25 sacas por hectares.

Confira vídeo que mostra a colheita de soja na propriedade de Celso Dallanora

Presidente da Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja) e prefeito de Tapera, Ireneu Orth estima que 30% da produção gaúcha já deve até estar negociada.

– Depois da seca, voltamos a ter uma safra normal. Com o resultado de agora é que os produtores vão conseguir se equilibrar, pois a quebra no ano passado foi muito severa – diz Orth.

Mesmo que o dinheiro da safra ainda não tenha chegado diretamente às mãos dos produtores, a colheita já faz o mercado andar para frente. Na Expodireto deste ano, realizada em Não-Me-Toque no início do mês, as vendas alcançaram o recorde de R$ 2,5 bilhões, a maior parte em máquinas agrícolas, o que indica otimismo também para as próximas safras.

– Se tudo continuar como está, deveremos ter um crescimento de 5% a 6% no PIB do Estado no final do ano. Porém, é necessário salientar que qualquer variação positiva se baseia no último ano, quando a economia declinou em razão justamente dos impactos da seca na safra – projeta Luz, economista da Farsul.

O ciclo virtuoso da soja
Uma boa safra em um Estado com a força agrícola do Rio Grande do Sul acaba se refletindo em toda a economia. Veja como o dinheiro da soja circula por diferentes setores.

O dinheiro do produtor movimenta o comércio em geral, do supermercado a lojas de roupas e, especialmente, de bens duráveis, explica o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado, Vitor Koch.

As compras se direcionam, por exemplo, para a aquisição de veículos, de eletrodomésticos da linha branca (como geladeiras), móveis e outros itens.

Mesmo que o dinheiro ainda não tenha chegado às mãos dos produtores, o que ainda deve levar pelo menos 90 dias, avalia Koch, a perspectiva positiva já estimula compras e a prospectar novas linhas de crédito.

O reflexo é direto e já ocorre no setor da construção civil, com obras de ampliação industrial, avalia o presidente do Sindicato da Industria da Construção Civil, Paulo Garcia. Até o final do ano, é a venda de imóveis que começará a ter mais negócios.

Com o dinheiro circulando, encomendas à indústria e compras no comércio sobem. Assim, as empresas tendem a contratar e a investir mais, inclusive no agronegócio.

Vitor Koch, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas
Além do ganho financeiro, há o efeito psicológico. Quando se trafega pelas estradas, em meio ao campo pronto para uma grande colheita, a economia já começa se movimentar.

Paulo Garcia, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil
Os ganhos não são restritos à chamada Região Celeiro ou ao Interior. Na construção civil, já se traduzem em obras no setor industrial e, até o final do ano, na venda de imóveis.

Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas
Projetamos um incremento nas vendas de máquinas agrícolas de 15%. Acredito que vá crescer a venda de colheitadeiras, que vem há algum tempo estagnada.

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