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Tudo que eu queria em Granada era relaxar na praia. Eu tinha uma pilha de livros de bolso, protetor solar e reservas para massagem balinesa. Era meu primeiro regresso ao Caribe em dez anos, e minhas primeiras férias na praia em praticamente esse mesmo tempo. A perspectiva de dias eternos de sol, romances açucarados e ioga matinal pareciam um paraíso.
Eu tinha um bom motivo para passar algumas noites nesta ilha remota, a 160 quilômetros ao norte da Venezuela: era meu aniversário de 40 anos. Eu queria fazer um retiro e refletir, mas depois dos 40 anos, seria de se achar que eu me conheceria melhor. Dia após dia de vagabundagem sem qualquer preocupação no meu resort boêmio luxuoso, o Laluna, onde eu me dividia entre meu bangalô — um dos 16 na encosta da propriedade — e uma cadeira preguiçosa na pequena praia particular, por mais indulgente e quase espiritual que pareça, termina cansando. Eu queria estimulação, não ficar parada.
Felizmente, não faltam atividades no crescente setor turístico de Granada. Com luxuriantes florestas tropicais e vilarejos agitados, fábricas de noz-moscada e plantações de cacau, a ilha está cheia de delícias naturais e agrícolas. Na verdade, o apelido de Granada é Ilha das Especiarias, e abundam aventuras sensoriais. Deixei meu nariz escolher o caminho.
Existem várias maneiras para circular pela ilha de 310 quilômetros quadrados, incluindo locação de veículos e ônibus públicos. Porém, a mais fácil — e mais informativa — é alugar um táxi com o motorista junto. Foi assim que vi rodando numa minivan ao lado do taxista Elvis.
Nós estávamos a caminho da fazenda Belmont, propriedade de 300 anos que produz especiarias como canela, cravo-da-índia, louro, gengibre, noz-moscada e flor de noz-moscada, além de suprir a Grenada Chocolate Co. de cacau orgânico para a fabricação de barras de chocolate. Enquanto Elvis navegava pelas estradas tortuosas e montanhosas em direção ao lado oriental da ilha, levando-nos por barracas de frutas cheias de fruta-pão, mangas e bananas, cabras presas a postes telefônicos e casas pintadas em tons pastel cobertas por buganvílias e apoiadas em palafitas, ele me deu uma aula rápida sobre a história agrícola de Granada.
Em 2004, depois de 49 anos sem furacões, o furacão Ivan passou rosnando por Granada, danificando 90 por cento da ilha, incluindo os pés de noz-moscada — fonte de um dos principais produtos para exportação. O furacão Emily, que a atingiu em 2005, destruiu plantações e a infraestrutura. Nas tempestades subsequentes, os granadinos começaram a cultivar mais cacau do que noz-moscada, pois o cacauzeiro demora a metade do tempo para atingir a maturidade. Essa mudança nas prioridades era evidente na fazenda Belmont.
A propriedade de 160 hectares está encravada num morro verde. Fileiras de palmeiras reais alinhadas no caminho ao longo da vegetação silvestre, contendo de tudo, de tamarindeiros imponentes a bergamoteiras baixinhas. Cabras voltadas para produção leiteira pastavam numa área cercada. Uma guia de fala mansa levou um pequeno grupo de turistas a um celeiro cavernoso, onde o cheiro das sementes de cacau fermentando, ainda brancas e pegajosas, permeava o ar. Enquanto a moça explicava o processo — secagem, torrefação, moagem, conchagem — ela nos levou para fora, onde as sementes adquiriam um tom marrom sob o sol tropical. Porém, a experiência da fazenda surgiu de verdade dentro da loja, onde é possível comprar de tudo, de trufas ao rum até abacaxi coberto de chocolate, ou então "patê de manga", um bombom doce e pastoso recoberto de chocolate amargo.
Na volta, Elvis sugeriu irmos pela costa oeste. "Temos várias vistas do mar no lado oeste", ele respondeu ao fazer uma curva e virmos a água turquesa diante de nós. Logo depois, o motorista estacionou numa banca à beira da estrada e pediu duas cervejas caribenhas. Não sei se foi o efeito do gosto residual do chocolate ou a visão do Caribe, mas bebi uma das melhores cervejas da minha vida.
Alguns dias depois, eu estava de volta à costa oeste, desta vez com um motorista chamado Francis e dois endereços que pareciam oferecer experiências definitivas na Ilha das Especiarias: a fazenda Dougaldston e a Cooperativa de Processamento de Noz-Moscada de Gouyave.
Se a fazenda Belmont é a "melhor experiência de agroturismo de Granada", então a Dougaldston é uma prima perdida. Com um "boucan" surrado — um prédio com longas bandejas para secagem sobre trilhos que podem ser levadas para dentro da construção durante a chuva —, a fazenda tem a beleza decadente da mansão de Miss Havisham, famoso personagem do romance "Grandes Esperanças", de Charles Dickens. Dentro, as especiarias estavam dispostas tão engenhosamente como se um estilista de comida as tivesse preparado. Ramos de canela e pés de pimenta-da-jamaica eram processados em estações de trabalho em conjunto com cacauzeiros gigantes e cabaças cheias de pimenta-da-jamaica, folhas de louro, noz-moscada e flor da noz-moscada: o prelúdio perfeito para a próxima parada.
Após uma viagem curta à vila de pescadores de Gouyave, a cooperativa de noz-moscada nos envolvia no inconfundível cheiro de citrus-cola da especiaria. Milhares de quilos de noz-moscada ocupavam leitos longos e rasos no segundo andar do armazém, onde ela absorve o calor debaixo do beiral do telhado. Ao contrário das sementes de cacau, a noz-moscada não pode ser exposta ao sol direto e leva dois meses para secar. A seguir, elas são colocadas numa máquina que as gira e quebra, deixando o resto da tarefa para os trabalhadores terminarem à mão: separar as cascas e testar a qualidade das nozes antes de serem embaladas para a exportação.
Tendo agora explorado todo o perímetro de Granada, decidi que era hora de me aventurar ilha adentro, o que me levou a outro motorista: Lenox. Enquanto subíamos as montanhas do interior, samambaias viçosas se perfilavam na estrada e bambus faziam reverências sobre a cabeça, criando um túnel verde. O ar se tornou drasticamente mais fresco. Nós havíamos ingressado no Parque Nacional Grand Etang.
Mandioca, cravo-da-índia, noz-moscada, canela, hibisco, maracujá, carambola, abacaxi, abacate, inhame, banana, manga, coco, graviola, cana-de-açúcar _ a picada surrada na qual começamos a jornada era um sonho para botânicos. E Lenox, o guia dos sonhos.
Ele explicou como as sementes do mamão podem expulsar parasitas do sistema digestivo. Ele demonstrou como a minúscula mimosa (ou sensitiva) se encolhe ao toque humano. E ao passar sob uma goiabeira, Lenox apanhou alguns dos maduros frutos verdes, mandou arrancar com uma dentada e cuspir a casca, desfrutando o interior firme e carnudo.
Enquanto a vegetação aromática abria caminho para a floresta selvagem, Lenox se deteve. "Vamos fazer um exercício espiritual, está bem?" Seguindo suas instruções, durante um minuto inteiro nós fechamos os olhos e ficamos apenas escutando. Eu ouvi água murmurando a distância. O vento sussurrando entre as folhas e pássaros gorjeando. Em algum lugar, um fruto caiu num baque suave. "À medida que vamos nos aprofundando na floresta, é importante ouvir com atenção. É importante ouvir o que a natureza tem a dizer", afirmou Lenox.
Eu não evitei a praia por completo. Entre as degustações de chocolate e lições de noz-moscada, a floresta e as cachoeiras, encontrei tempo para cumprir o plano original da visita a Granada. Eu observava o pôr do sol toda tardinha enquanto chapinhava na água morna. Eu via os homens locais puxarem as redes de pesca. E à tarde, ainda que por uma hora ou duas, eu observava o desfile jovial de corredores, alunas uniformizadas e os ambulantes mais educados passarem por mim. Eu decidi que se levava uma vida boa em Granada.
Enquanto você estiver lá
A melhor maneira de se envolver com as ofertas de turismo rural de Granada é contratando um motorista de táxi, o que custa aproximadamente de US$ 25 a US$ 30 por hora.
Laluna (Morne Rouge, Saint George's; 473-439-0001; laluna.com), resort de propriedade de um italiano com 16 chalés, restaurante, spa e praia particular; suítes em chalés a partir de US$ 495 no inverno.
Le Chateau Restaurant and Bar (Grand Anse, Saint George's; 473-444-2552) é um restaurante sossegado distante das praias, perto do shopping center Grand Anse. O jantar para dois, com cerveja, custa cerca de US$ 30.
The Beach House (Point Saline, Airport Road, Saint George's; 473-444-4455; beachhousegrenada.com) é um local amistoso e animado na praia com versões internacionais dos frutos do mar locais. Jantar para dois, com coquetéis, ao redor de US$ 75.








