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Imensidão a desbravar31/01/2013 | 08h01

Mergulho permite ao praticante visitar um universo multicolorido e rico em animais curiosos

Instrutor de mergulho dá dicas e esclarece as principais dúvidas sobre a atividade

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Mergulho permite ao praticante visitar um universo multicolorido e rico em animais curiosos Arquivo Pessoal/Guilherme Nonohay
Gui Nonoay tem 20 de anos de prática de mergulho Foto: Arquivo Pessoal / Guilherme Nonohay
GUI NONOHAY*

O mergulho é um esporte radical praticado por milhões de pessoas mundo afora. Permite-nos visitar um universo diferente, multicolorido, com lindos animais e aproveitar mais o verão e os destinos de viagem.

Uma das perguntas que mais me fazem quando descobrem que sou instrutor de mergulho e viajo para mergulhar é quais são os melhores pontos de mergulho do mundo. Depois de mais de 20 anos de prática, tenho a convicção de que não há como fazer isso. Cada um vai ter seus locais prediletos de acordo com seu estilo.

A seguir, porém, eu faço, sim, um ranking – o meu. Confira um pouco sobre os meus cinco pontos de mergulho favoritos.

Confira fotos de Gui Noroay em seus mergulhos pelo mundo.

Paredões

Um dos tipos de mergulho de que mais gosto são os paredões coralíneos, que permitem mergulhar nas partes mais rasas – ideal para os principiantes. Aos oito metros, podemos curtir um passeio tranquilo e deslumbrante. Como eles seguem verticalmente até os cem, 200 e até mesmo 1,5 mil metros (!), paredões também satisfazem os mais experientes e que desejam se aventurar um pouco mais, sempre respeitando os limites de segurança.

Algumas das paredes mais impressionantes que já mergulhei estão em Jardines de La Reina, em Cuba, que, além de mergulhos fantásticos, dão a oportunidade de conhecer um pouco de um país com lindas praias, história e do povo acolhedor.

Noturnos

Mergulhos noturnos são os meus favoritos. Exigem experiência e treinamento, mas, ao cair na água à noite, encontramos cenários completamente diferentes, com os peixes que habitualmente vemos nos mergulhos diurnos dormindo e outros animais de hábitos noturnos mais ativos.

A necessidade de utilizar lanternas permite que prestemos mais atenção aos detalhes. As cores dos recifes e dos animais ficam mais destacadas, além de ter uma áurea de mistério. Em locais como Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, que tem pontos de mergulho com muita vida marinha, com a presença de polvos, arraias e cavalos marinhos, fiz alguns mergulhos noturnos memoráveis.

Tuborões

Uma das razões que me levaram a mergulhar é uma paixão pelos animais marinhos e, principalmente, pelos tubarões, que tive a oportunidade de vislumbrar cotidianamente no período que mergulhei em um dos pontos mais belos do mundo, a costa da ilha de Moorea, na Polinésia Francesa, onde se pode mergulhar com tranquilidade ao lado desses animais maravilhosos.

Em qualquer mergulho lá avistam-se pequenos tubarões galha-preta e tubarões cinzas de recife, que, com no máximo 1m70cm, nadam graciosamente pelos recifes junto aos outros animais. Mas, com um pouco de sorte, podemos deparar com tubarões-limões, que chegam aos dois metros de comprimento, e com tubarões-tigre, que tive a sorte de ver algumas vezes, imponentes com seus quase quatro metros de comprimento.

Quintal de casa

Nessa pequena lista, não poderia deixar de falar do lugar que considero meu “quintal de casa”, onde aprendi a mergulhar e que é um dos locais mais propícios para praticar mergulho, tanto por proximidade, facilidade e segurança dos pontos de mergulho quanto pela presença de tartarugas, garoupas, arraias e muitos cavalos marinhos, entre outros animais. É a Ilha do Arvoredo, em Santa Catarina.

Chega-se a ela navegando tanto de Florianópolis quanto Bombinhas. Suas baías calmas e muitas vezes com água transparente e quente permite-nos mergulhos fantásticos.

Naufrágios

Mergulhar em naufrágios é muitas vezes visitar um museu que, gradualmente, vai criando vida, pois peixes e organismos marinhos usam essas estruturas como moradia e colorem esses pedaços do passado.

Hoje, além de barcos que afundaram, digamos assim, de forma “natural”, em tormentas ou combates bélicos, muitos estão sendo afundados com o objetivo de ser tornarem recifes artificiais. Em Nassau, nas Bahamas, encontramos naufrágios que foram, inclusive, cenário para filmes da série James Bond – ou seja, o mergulho por lá é literalmente cinematográfico!

Explore as águas em segurança

Para desfrutar de aventuras como aquelas retratadas por Jacques Cousteau, é importante ter alguns cuidados. Estas são as minhas dicas: Treinamento

- Para se fazer mergulho livre da maneira mais simples, é preciso apenas máscara, snorkel e nadadeiras, além, é claro, saber nadar.

- Já o mergulho autônomo exige cilindro, colete equilibrador, regulador, máscara, snorkel e nadadeiras. No entanto, ambas as modalidades requerem treinamento, certificação, experiência e acompanhamento de ao menos uma dupla de mergulho.

- O mergulho é o esporte radical mais seguro entre todos, mas exige conhecimento e experiência que podem ser adquiridos nas escolas e operadoras, que oferecem cursos de mergulho livre, básicos e avançados, além de modalidades mais específicas, divididos em parte teórica e prática. Equipamento básico.

- A máscara, as nadadeiras – e não “pé-de-pato”, como é dito por aí – e o snorkel já permitem a prática do mergulho livre.

- O principal cuidado que o mergulhador, iniciante ou não, deverá ter é certificar-se quanto ao tamanho e ao formato da máscara a ser adquirida, para que o equipamento se adapte bem ao seu rosto, o que evitará a entrada de água.

- Toda a máscara pode embaçar. Para que isso não atrapalhe o mergulho, é preciso tomar o cuidado de preparar as lentes, na parte interna da máscara, limpando-as com saliva. Isso mesmo, saliva, que é um “anti-embaçante” natural e deve ser “aplicado” na máscara sempre, antes de se mergulhar.

- Nadadeiras também devem ser do tamanho adequado ao pé de quem irá usá-lo. Não podem ser nem muito apertadas nem folgadas. Se forem de calcanhar fechado, mais comumente encontradas para venda e locação, pode-se fazer um teste simples para se certificar de que ela tem tamanho certo: coloca-se a nadadeira, firma-se a planta do pé no chão e levanta-se o calcanhar. Se o calcanhar da nadadeira não escapar, é uma nadadeira ideal.

- Nadadeiras de calcanhar aberto exigem a utilização de botas de neoprene, o que facilita a compra, pois a bota deve ser do mesmo tamanho do nosso pé.

- Para evitar bolhas em nadadeiras de calcanhar fechado, pode-se usar meias de neoprene ou de lã.

- O snorkel (aquele caninho) permite nadar com o rosto na água respirando lenta e profundamente, para não inalar água. Ele deve ser posicionado sempre ao lado esquerdo da máscara. Uma boa opção são os que têm dreno na base, pois facilitam o desalagamento.

Kit completo

- Para ir um pouco mais fundo e poder ficar por mais tempo embaixo d’água, a opção é o cilindro de ar comprimido, que deve estar em boas condições de uso para garantir a segurança no mergulho. Para isso, basta olhar na parte de cima do equipamento – haverá as marcações de data dos testes de qualidade.

- O colete equilibrador, que fixará o cilindro nas costas, também servirá como controlador de flutuabilidade, pois pode ser preenchido de ar e manter o mergulhador boiando na superfície, descansando enquanto aguarda a dupla de mergulhadores. Embora não seja um colete salva-vidas, deve ter a capacidade de manter o mergulhador com, ao menos, o rosto fora da água.

- O conjunto regulador mais parece um polvo, com todas as suas mangueiras. Ele permite que o ar do cilindro seja usado com segurança, fazendo com que a respiração seja contínua e suave.

- É também fundamental, e para muitos desconfortável, o uso do traje de exposição, roupa utilizada para evitar a perda de calor do corpo em contato com a água. No mergulho, a pior sensação que se pode ter é o frio, e quanto mais tempo se permanece, mesmo em águas quentes, mais frio se passa. O ideal é escolher o traje adequado para a temperatura do ponto mas profundo de mergulho que será visitado.

- Também não se pode esquecer que é imprescindível a hidratação e a proteção contra os raios de sol.

*Instrutor de mergulho PADI e Aware Shark Conservation, guia especializado em turismo de mergulho e um apaixonado por tubarões

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