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Ásia28/11/2012 | 08h02

Repórter descreve o surpreendente povo da Mongólia

Gente que ainda cultua o guerreiro Gengis Khan, não tolera furtos, transforma-se em taxista e chega a “cozinhar” os turistas com receio de fazê-los passar frio

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Repórter descreve o surpreendente povo da Mongólia Thiago Copetti/Agência RBS
Os mongóis têm feições exóticas na visão dos ocidentais Foto: Thiago Copetti / Agência RBS

É incrível, mas Gengis Khan ainda é um ídolo na Mongólia, com alusões ao seu nome e imagens suas em diferentes lugares. Confirmei, e me surpreendi com isso, até mesmo no cinema. Em uma tarde chuvosa em Ulan Bator, capital do país, fui instigado a ir a uma sessão de cinema na estreia de um filme sobre um dos maiores guerreiros da história.

Em um pequeno shopping cheio de adolescentes, a sessão teve início. Em mongol — obviamente. O filme parecia saído dos anos 1970 e contava a vida, que todos ali sabiam, de Genghis. Eles vibravam com a velha história. Saí do cinema intrigado com a personalidade mongol e com uma certeza: seu povo é extremamente simpático e peculiar.

Na Mongólia, depois de dois dias me questionando sobre o que era carro e o que era um táxi, resolvi perguntar ao guia — um estudante que acompanhava meu grupo de viagem — como ele reconhecia os táxis que pegamos em três oportunidades. Não tinham placa, nada que os identificasse. Mas o guia, sempre seguro, estendia a mão e logo parava um carro.

Questionado, me explicou, então, que quase não havia táxis na cidade. O negócio era o seguinte, me disse: estende a mão, alguém para e se combina o preço. Ou seja, todo carro e todo motorista é um táxi e um taxista em potencial. Terra estranha e agradável.

Uma aventura na danceteria

À noite, fomos a uma boate mongol. Sim, eles bailam, são divertidos e risonhos. Cheguei e fui ao banheiro. Nem entrei. Na porta havia o que me pareceu ser um militar. Dentro do banheiro, avistei da porta certa quantidade de sangue no chão e entre os mictórios. Mas tudo parecia absolutamente sob controle e calmo. Perguntei ao guia o que houve e ele me explicou: um jovem havia tentado furtar algo da bolsa de uma moça, e aquilo era intolerável. Apanhou e foi expulso.

Voltei ao banheiro, estava tudo limpo, e o suposto militar me sorriu dizendo que agora eu poderia entrar. Estava mesmo tudo sob controle, apesar do meu susto inicial. Fomos para a pista. Surpresa máxima. O que toca na pista? Dançando lambada ê, dançando lambada ah... sim, tocava lambada. Povo estranho. Fui arrastado por uma colega inglesa para a pista, e eu minha perna de pau, para dançar lambada. Afinal, era a música do meu país. O dia seguinte? Acampamento.

Susto durante a cavalgada nas estepes

Eu estava excitado com a viagem até o primeiro acampamento. Chegamos nas estepes e havia turísticas barracas mongóis armadas, redondas e com rústicas lareiras. Tudo cinematograficamente cercado de neve farta. De tempo em tempo, um empregado entrava e socava lenha na lareira. Temia que congelássemos. Lá fora, -10ºC. Dentro, quase fomos assados. Ele colocou tanta lenha que à certa altura tive de sair correndo da barraca. Estava sendo cozinhado vivo e fui gelar lá fora. Pedi, com gestos, que parasse. Segui eu mesmo mantendo o fogo vivo e em temperatura amena. Eram calorosos com turistas os mongóis.

De manhã, cavalgada. Os cavalos eram pouca coisa maior que pôneis. Como sabia cavalgar, dispensei o guia que puxaria o cavalo. Decidi acelerar. O maldito pônei, apesar da tentativa de galopar, se recusava. Um guia mais à frente me ensinou uma palavra mágica que o faria correr. Declamei o primeiro "abracadabra" e ele acelerou. O fiz três vezes. Tentei parar e ele não obedecia. Eu não sabia a palavra mongol para pará-lo!

Veloz, encaminhou-se a um buraco, entornou as pernas e quase me arremessou para um trágico final. Apavorado, grudei no cavalo e não despenquei. Levei um simpático xixi do responsável pelos cavalos. Havia me aventurado demais. Voltamos à barraca, tomamos vodca, jogamos o jogo do osso e fui dormir com um largo sorriso. Estava adorando a Mongólia e os hospitaleiros mongóis.

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