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Turquia27/11/2012 | 17h40

Leitora conta suas aventuras pela Capadócia

Marisa Martins encontrou uma espécie de Fred Flinstone em Göreme

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Leitora conta suas aventuras pela Capadócia Arquivo pessoal/arquivo pessoal
Marisa se diverte em quadriciclo na Capadócia Foto: Arquivo pessoal / arquivo pessoal
Marisa Martins*

marisam@vetorial.net

Quando resolvo fazer turismo de aventura ou ecológico quase sempre dou-me mal. Formigas atacaram numa trilha, em Itacaré, na Bahia. Quase sofro infarto, em igarapé de Manaus, ao deparar com filhote de jacaré, na minha cara. Desvendando o rio Formoso, em Bonito, sou avisada de que logo adiante descansava bela sucuri.

Nem tudo, porém, é negativo. Andar de jetboat, no rio Shotover, em Queenstown, Nova Zelândia, raspando rochas, foi terapia. A do grito. Voar de balão, em Göreme, Capadócia, trouxe serenidade. E lançou o desafio de conhecer a região turca por terra.

Deslumbrada pela beleza que se descortinava do alto, imaginei-me entrando num túnel do tempo. Da imaginação à ação foram poucas horas. O espírito aventureiro, já atiçado pelos balões, exultou.

Quadriciclo é alugado. Inicia a viagem rumo à idade da pedra. Experiência zero nesse tipo de transporte, minha e do condutor. Aos solavancos – parecendo veículo com rodas cenozoicas – é enfrentada sinuosa, esburacada e pedregosa estradinha. O guidão não obedece ao comando (difícil como montar um touro mecânico pela primeira vez).

Plaf, plof, plof, sinto-me um saco de batatas, mal acondicionado na carona. Fígado, coração, rins saem do lugar. Rali Paris/Dakar deve ser menos desafiador. O retorno a priscas eras, porém, supera a quebradeira. Cenários inimagináveis a cada curva.

Formações rochosas esculpidas pelo vento em milhares de anos e escavadas pelo homem, são conjuntos residenciais, hotéis, igrejas e mesquitas, obeliscos. Museus pétreos a céu aberto.

De repente, o que vejo? Nada mais, nada menos, do que Fred Flintstone sorrindo para mim. Não, não é ilusão de ótica!

Enorme bloco de arenito transformou-se na simpática figura. Pedrita e Bam-bam brincam entre as pedras. Wilma os cuida lá de um buraco da caverna. E o Barney deve andar por aí.

O encontro com os Flintstones, em seu hábitat, valeu cada osso fora do lugar e músculos doloridos.

Hanna Barbera poderia ter se inspirado nas pedras de Göreme para criar o alegre desenho animado. Onde mais o passado mantém-se assim intato?

Onde mais o retorno à idade da pedra é realidade?

PS: Fred e Wilma modernos perderam-se por vales semelhando crateras lunares. Foram encontrados pelo locador do quadriciclo. Mas, isto não se conta...

*Professora de Direito Internacional Privado

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