Já se foi o tempo em que viajar era coisa para poucos. Pesquisa feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) revelou que pelo menos 4,3% das famílias brasileiras já saíram do país. Essa popularização fez com que boa parte dos viajantes perdesse a ideia de sair da zona de conforto e de enfrentar uma jornada clássica. Por isso, apresentamos rotas feitas por nossos leitores que podem revelar paisagens e experiências que não se encontram nos roteiros mais comuns. Grandes Viagens (abaixo), da coleção Lonely Planet, publicada no Brasil pela Editora Globo, serviu como inspiração.
Rios e mares: nas profundezas do Amazonas
Uma viagem de barco pelo Rio Amazonas revela algumas das maravilhas que nascem sobre o solo brasileiro: a floresta tropical. Ao longo do percurso, o turista ainda pode ser surpreendido pelas tribos indígenas e pela abundância da vida selvagem da região.
Grande parte opta pelo trajeto entre Belém e Manaus, que pode durar entre quatro e cinco dias. Porém, a viagem pode se estender por bem mais tempo. A imensidão do percurso impressiona já nos primeiros cenários. O rio tem mais de 6,2 mil quilômetros de extensão e contém um quinto da água doce de todo o planeta.
Com mais de 10 viagens de barco pelo Rio Amazonas e pelo Rio Negro, o engenheiro Elmo Bressani (à direita, com Paulo Eduardo Ribeiro) já pode ser considerado experiente na região. O gosto pela pescaria motivou todas as suas viagens à região norte do país:
– Na Amazônia estão os maiores tucunarés do mundo e também há uma grande quantidade deles, o que torna a pescaria muito dinâmica.
Ele dá algumas dicas aos interessados em explorar a área:
– Recomendo levar remédios básicos, como antialérgico e antiinflamatório. Também não se deve sair sozinho pela mata. A Amazônia é linda, grandiosa. Todas as pessoas que gostam de natureza deveriam conhecer.
Dentre as experiências essenciais, não deixe de fazer um passeio de canoa pela floresta inundada e ouvir os cantos dos pássaros e os gritos dos macacos.
Caminhadas e Peregrinações: trilha inca até Machu Picchu
Com 43 quilômetros de extensão, a trilha é a mais famosa da América do Sul. A viagem começa no Vale Sagrado e termina na cidade inca de Machu Picchu. Além do destino espetacular, a rota ainda revela paisagens como a floresta densa e colorida e magníficas áreas de banho.
Machu Picchu é o sítio arqueológico mais conhecido do continente. A chamada cidade sagrada foi descoberta há pouco mais de 100 anos e recebe turistas de todas as partes do mundo. O empresário Lucas Zuch visitou a região em julho.
– A dica é se programar para conseguir a entrada para Wayna Picchu, que é o ponto mais alto da cidadela. São permitidas apenas 400 pessoas por dia nessa trilha, então as entradas são muito disputadas, e o caminho em si também é um desafio – explica.
Um passeio guiado pela região é recomendado para quem quer conhecer mais sobre a história.
– Acho que o segredo para uma boa experiência é estar aberto a imaginar o que acontecia nos tempos em que a cidade era “viva”. Machu Picchu é tão impressionante e detalhadamente planejada que o visitante fica chocado pensando em como um povo considerado primitivo estava, na verdade, muito à frente de nós – afirma Lucas.
Para encerrar a viagem com chave de ouro, recomenda-se pegar um trem até Águas Calientes, onde fica a entrada para Machu Picchu. O trajeto revela cenários incríveis, além da passagem montanhosa a 4.450 metros de altitude.
Na estrada: rodovia Patagônica Argentina
Mais conhecida como Ruta Nacional 40, a estrada corta a Argentina de Norte a Sul, percorrendo quase todo o país em seus 5 mil quilômetros de extensão. A pavimentação total da rodovia ainda não está concluída, o que obriga o viajante a fazer uma combinação de veículos para percorrê-la por inteiro. A rodovia passa paralela aos Andes, revelando a paisagem das geleiras e dos lagos, além dos diversos povoados pitorescos que vivem às margens.
O juiz João Pedro Cavalli Junior já se considera um conhecedor da estrada. Na companhia de cerca de 20 amigos, entre juízes e promotores, ele criou há mais de 10 anos o grupo Habeas Moto (na foto acima, estão Ciro Rech, Marcelo Muller e Volcir Casal). A ideia era reunir motociclistas para trocar experiências e compartilhar viagens. Deste então, já realizaram mais de 17 roteiros e percorreram mais de 100 mil quilômetros.
– Todo motociclista que se dedica a viajar se interessa pela mítica Ruta 40. Por se situar ao oriente da Cordilheira dos Andes, apresenta uma paisagem desértica em quase sua totalidade. Não significa que não seja interessante. Ao contrário: a majestade da cordilheira e a amplitude das distâncias faz o viajante sentir-se minúsculo e, ao mesmo tempo, encantado – conta Cavalli.
A variação de altitudes é grande em diversos pontos da rodovia. Por isso, não se recomendar trafegar – principalmente de moto – no período de outono e inverno, quando costuma nevar.
– É muito importante para quem pretende conhecer a Ruta 40 ter um veículo em perfeitas condições, pois os pontos de apoio são escassos e distantes entre si – alerta.
Dirigir pela região requer alguns preparativos e muita paciência, já que nem mesmo as circunstâncias lhe permitirão ter pressa.
Por terra: o histórico Grand Tour europeu
Era conhecido nos séculos XVII e XVIII como a viagem feita por jovens de famílias ricas que desejavam conhecer o mundo antes de construírem uma família. As excursões eram realizadas principalmente por homens britânicos, mas acabaram perdendo força em função das viagens ferroviárias e do turismo comercial.
A rota começava em Londres, cruzava o Canal da Mancha, de Dover para Calais, seguindo até Paris. A próxima parada era a Itália, passando por Veneza, Roma e Florença. O tour era uma das únicas formas que a elite europeia tinha para entrar em contato com obras do Renascimento, como a arte e a música. Porém, grande parte dos jovens viajantes costumava perder dias passeando pelos clubes e bistrôs franceses.
Uma viagem bastante parecida foi traçada, em 2011, pela estudante Laura Rinaldi. A aluna de Design da ESPM escolheu como destino Florença (onde ela está, na foto acima), o berço do Renascimento, para aprender sobre a arte e a cultura italiana.
– É uma cidade espetacular, com inúmeros lugares incríveis para conhecer – conta.
Uma das dicas é fazer um piquenique na Piazzale Michellangelo, local de onde se tem uma visão panorâmica da paisagem da Toscana e de alguns pontos turísticos.
Após o fim do curso, Laura traçou com mais três amigas uma rota pela Europa e passou dois meses conhecendo mais de 15 cidades – entre elas, todas as citadas no Grand Tour. Na capital francesa, além dos roteiros clássicos, que incluem a Torre Eiffel e o Louvre, Laura sugere uma alternativa:
– Um programa legal em Paris é um passeio pelo Le Marais, bairro cheio de lojas modernas, feiras, galerias, restaurantes e cafés.
O viajante deve se preparar: independentemente da rota planejada, o Grand Tour traz boas doses de delícias culinárias – com destaque para o famoso gelato italiano. Aproveite, portanto.













