Minas Gerais03/05/2012 | 19h58

Benjamim, o único grande barco movido a lenha no mundo

Com quase cem anos, gaiola a vapor segue pelo Rio São Francisco cheio de histórias

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Benjamim, o único grande barco movido a lenha no mundo Divulgação/Divulgação
Vapor Benjamim Guimarães navegando pelo Rio São Francisco Foto: Divulgação / Divulgação

Quando o apito do Benjamim Guimarães soa bem alto, no precário porto de Pirapora (a 350 quilômetros de Belo Horizonte), norte de Minas Gerais, é a senha para que as águas do Rio São Francisco carreguem o único vapor ainda em atividade no mundo para mais um passeio pelo Velho Chico.

A viagem dura três horas – uma para descer o rio e duas para vencer a correnteza na volta – e é ótima pedida para quem deseja fugir do estresse da cidade grande. Os passeios são feitos a partir das 10h de domingo e, esporadicamente, aos sábados e feriados.

O barco também pode ser alugado por grupos ou agências de turismo para passeios em outros dias. O bilhete custa R$ 40 e pode ser adquirido de três formas: no local do embarque, na sede da Empresa Municipal de Turismo de Pirapora (no Centro de Convenções da cidade) ou por telefone (para quem quer reservar com mais antecedência).

A viagem é acompanhada por boa música ao vivo, e os produtos vendidos no bar do vapor têm preços acessíveis. A lata de 350ml de cerveja nacional, por exemplo, sai por R$ 2,50. A capacidade da embarcação é para 190 passageiros, que fazem o passeio acompanhados do capitão e de 12 tripulantes.

Os visitantes podem curtir a viagem em qualquer um dos três pisos do barco. Contudo, convém lembrar que o Benjamim é um vapor, movido a lenha. Portanto, melhor ficar distante da caldeira, pois o calor incomoda. Outra dica: a roda de madeira que movimenta a embarcação pode ser vista das janelas dos banheiros (são três masculinos e três femininos no segundo andar) ou do terceiro piso. Aliás, é a tal roda que caracteriza a embarcação como gaiola.

Ataque de Lampião

A viagem sempre começa com um funcionário da prefeitura – o Benjamim Guimarães pertence ao município – contando a história da embarcação, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Construído pela empresa James Rees & Com., em 1913, para navegar no Rio Mississipi (EUA), o barco foi adquirido pela empresa Júlio Guimarães na segunda metade dos anos 1920.

Naquela década e nas seguintes, a embarcação fazia o roteiro Pirapora-Juazeiro (BA). Numa das viagens, o Benjamim foi alvo do bando do cangaceiroVirgulino Ferreira da Silva (1898-1938), o temido Lampião.

O ataque ocorreu na Bahia. O bando do cangaceiro surgiu numa das margens e disparou várias vezes contra a embarcação, mas o comandante imprimiu velocidade máxima ao barco e o deslocou à outra margem, livrando o vapor das balas disparadas pelas lendárias carabinas de papo amarelo, armas que foram ícones da época do cangaço.

Informações: www.emutur.com.br

Centro de Convenções: (38) 3741- 2366

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