Tropa de elite23/02/2014 | 15h31

Astros de "RoboCop" elogiam trabalho de José Padilha

Em entrevista a Zero Hora, sueco Joel Kinnaman e americano Michel Keaton contam que nome do diretor brasileiro foi um atrativo para participarem da refilmagem em cartaz nos cinemas

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Astros de "RoboCop" elogiam trabalho de José Padilha Sony/MGM/Divulgação
Joel Kinnaman é o protanonista da nova versão de "RoboCop" Foto: Sony/MGM / Divulgação

Projeto escolhido pelo cineasta brasileiro José Padilha para sua estreia em Hollywood, a refilmagem de RoboCop atualizou as questões enfrentadas originalmente pelo policial do futuro no longa dirigido em 1987 por Paul Verhoeven. Um dos destaques da produção de cerca de US$ 130 milhões em cartaz nos cinemas é a qualidade do elenco, que reúne astros do calibre de Gary Oldman e Samuel L. Jackson.

ZH conversou na semana passada, no Rio, com o americano Michael Keaton e o sueco Joel Kinnaman, da série The Killing, que confessou:
— Vou gravar mais seis episódios para o Netflix, e então será o fim da série.

Confira abaixo as entrevistas com os dois atores: 

Joel Kinnaman: "A armadura fazia eu me sentir o máximo"

O que levou você a aceitar o papel de Alex Murphy, o RoboCop?
Joel Kinnaman — Em muitos aspectos, foi José Padilha. Quando me disseram que haveria um remake do RoboCop sendo produzido, falei para meu agente que achava que não combinaria comigo. Então, eles me disseram que seria o José o diretor, e isto mudou tudo. Porque eu já havia visto Ônibus 174 e Tropa de Elite 1 e 2, e acho que ele é um dos diretores mais interessantes no mundo. E, se um diretor desse calibre, com esse tipo de visão política e social, vai trabalhar o conceito do RoboCop, vai ter uma ideia muito forte. Não vai ser um remake comum. Então, nós sentamos, e ele me contou toda a história que ele queria contar usando o conceito do RoboCop, e resolvi lutar pelo papel.

Como foi atuar usando uma armadura?
Kinnaman
—  Foi um desafio. Mas também me deu muitas ideias para a caracterização. A armadura fazia eu me sentir o máximo! Mas, ao mesmo tempo, eu não usava roupas por baixo. Então, entre as tomadas, eu me sentia estranho e sem jeito, e eu ficava muito tempo pensando nas emoções que você sentiria se fosse amputado do pescoço para baixo. Eu acho que esse contraste de emoções, de se sentir incrivelmente poderoso, mas também vulnerável, foi perfeito para o personagem.

Seu personagem desenvolve um tipo de relacionamento especial com o cientista interpretrado por Gary Oldman.
Kinnaman
— Começa quase como uma relação entre o Dr. Frankenstein e seu monstro, e se transforma em uma relação pai e filho.

Você era fã do RoboCop?
Kinnaman
—  Devo ter visto o original umas 20 ou 25 vezes, quando criança. Minha mãe, que é psicoterapeuta, chegou a temer que eu tivesse algum tipo de psicose com o RoboCop. Então, estava bem preparado. Acho que, em 1987, eles tinham uma ideia futurista bastante diferente de como um robô se moveria em relação à nossa visão futurista hoje. Mas mantive um detalhe da atuação de Peter Weller, que é quando viro a minha cabeça primeiro e os ombros vêm depois. É uma pequena homenagem a ele.

Alguns dizem que, em Hollywood, a criatividade está se mudando para séries e shows de TV como The Killing. Você concorda?
Kinnaman
—  Acho que muitos dos bons roteiristas foram para a TV. Muitos perceberam que têm possibilidades maiores na televisão. Então, muitos dos dramas mais interessantes que temos visto estão na TV.

Qual foi a cena mais difícil de RoboCop para você?
Kinnaman
—  Sem dúvida, foi a cena em que o doutor Norton (Gary Oldman) mostra para Alex o que restou dele. Porque é uma cena na qual você tem que demonstrar angústia e ansiedade existencial, mas, ao mesmo tempo, eu não podia me mexer. Eu tinha que ficar completamente parado, eles inclusive amarraram minha cabeça com fios em uma maca. Sempre que você quer passar grandes emoções, você quer usar o seu corpo, você quer ser físico. Isso ajuda a trazer esses sentimentos, mas eu não tinha esse luxo.

Michel Keaton: "Quase tudo foi ideia do Padilha"

Você interpreta o CEO da empresa que criou o RoboCop. Mas seu personagem não é um simples vilão ganancioso. É um visionário, culto, tem três quadros do Francis Bacon em seu escritório.
Michael Keaton —
Eu não poderia ter falado melhor. O tríptico de Francis Bacon foi idéia do José (Padilha). Quase tudo foi ideia do José. Ele é um dos diretores mais inteligentes com quem já trabalhei. E nós concordamos naquilo que nós não gostaríamos de fazer com o personagem. Não queríamos aquele malvado clichê. E não acho que esse personagem esteja sempre errado. Ele apresenta argumentos interessantes, acredita naquilo que está dizendo, sabe?

Você se inspirou em alguém real, como Steve Jobs ou Bill Gates?
Keaton —
Sim, esses caras. E Elon Musk (empresário sul-africano dono da SpaceX).

Como foi trabalhar com José Padilha?
Keaton —
Realmente ótimo. Foi a razão pela qual eu fiz o filme.

Você está realmente envolvido com o cineasta Tim Burton em uma sequência de Os Fantasmas se Divertem (1988)?
Keaton —
Nós fizemos algumas ligações, estamos esperando para ver o roteiro, se for bom, talvez... Tim quer fazer.

* Repórter viajou a convite da Sony Pictures

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