Despedida15/12/2013 | 16h51Atualizada em 16/12/2013 | 10h35

Morre Peter O'Toole, astro de "Lawrence da Arábia"

O ator irlandês faleceu neste sábado, aos 81 anos, segundo seu agente

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Morre Peter O'Toole, astro de "Lawrence da Arábia" Banco de Dados/Banco de Dados
O papel de "Lawrence da Arabia" transformou Peter O'Toole em um dos atores mais conhecidos de sua geração Foto: Banco de Dados / Banco de Dados

Peter O'Toole, protagonista do épico Lawrence da Arábia (1962), morreu neste sábado, aos 81 anos. O anúncio foi feito no domingo pelo seu agente, Steve Kenis. Segundo ele, o ator passou um longo período doente e estava internado no Hospital de Wellington, em Londres. Não há informações sobre a causa da morte.

>> Leia texto sobre Peter O'Toole e T.E. Lawrence, o personagem histórico que inspirou "Lawrence da Arábia" no blog Olhar Global

"Era único no melhor sentido da palavra e um gigante em sua especialidade", afirmou Kenis.

O prestigiado ator de teatro e de cinema foi indicado ao Oscar em oito oportunidades, e finalmente recebeu um prêmio honorário pelo conjunto da obra em 2003. Sua mais recente indicação foi em 2006, por Venus.

O presidente irlandês, Michael D. Higgins, disse ter sentido uma "grande tristeza" com o anúncio da morte do ator.

"A Irlanda e o mundo perderam um dos gigantes do cinema e do teatro", escreveu em um comunicado.

Filho de um corretor de apostas irlandês e de mãe escocesa, Peter O'Toole nasceu em 2 de agosto de 1932 e foi criado no norte da Inglaterra.

Após ter trabalhado brevemente como jornalista de rádio para a Marinha Real, ele estudou na respeitada Academia Real de Arte Dramática, ao lado de Albert Finney, Alan Bates e de Richard Harris, que também se tornariam atores famosos.

Depois de ter feito nome no teatro – em peças como Esperando Godot (Samuel Beckett) e Tio Vânia (Tchekov), ganhou fama internacional no cinema no papel do oficial britânico T. E. Lawrence, que liderou uma rebelião árabe contra os turcos na I Guerra Mundial – o protagonista da epopeia Lawrence da Arábia, dirigida por David Lean. O cabelo loiro e os olhos azuis, combinados com uma performance elogiada no filme de quase quatro horas de duração, digna de uma indicação ao Oscar, elevaram o ator a astro internacional. Nos anos 60 e 70, teve uma série de sucessos como A Noite dos Generais (1966), e dois filmes no qual interpretou o Rei Henrique II e pelos quais recebeu indicações ao Oscar: Becket, o Favorito do Rei (1964), ao lado de Richard Burton, e O Leão no Inverno (1968), de Anthony Harvey, também com Katharine Hepburn. Também atuou em O Homem de La Mancha (1972), no qual viveu Don Quixote, A Classe Dominante (1972), de Peter Medak, O Substituto (1980), Um Cara Muito Baratinado (1982), Calígula (1979), O Último Imperador (1987), de Bernando Bertolucci, e Vênus (2006).

> Veja galeria com momentos da vida e da carreira de Peter O'Toole: 

Nos últimos anos, o ator foi aclamado pela interpretação no teatro e na TV de Jeffrey Bernard is Unwell, sobre a vida de um jornalista britânico alcoólatra.

Em julho de 2012, O'Toole anunciou sua aposentadoria.

"O sentido disto (atuar) acabou para mim e não vai voltar", afirmou na ocasião. "Eu me despeço da profissão profundamente agradecido e sem lágrimas nos olhos", continuou.

Embora o motivo de sua morte não tenha sido anunciado ainda, nos anos 1970, o ator teve que parar de beber depois de um câncer que quase lhe custou a vida e exigiu a remoção parcial de seu estômago e pâncreas.

Tanto O'Toole quanto Burton admitiam alegremente que estavam embriagados em grande parte das filmagens de Becket, algo que não era incomum na época dos enfant terribles de Hollywood.

Eles eram notórios pelas noites loucas com outros atores chegados a uns drinks. O'Toole chegou a contar que uma vez ele foi beber em Paris e acordou na Córsega.

Em uma memorável aparição no talk-show do apresentador David Letterman, o astro entrou no palco, desgrenhado, mas bem vestido, montado em um camelo.

"Perdoe-me, mas meu valoroso transporte está um pouco sedento", disse, com a voz alterada, ao desmontar, e serviu cerveja ao animal.

"Eu não me arrependo de nenhuma gota", disse O'Toole uma ocasião sobre sua queda para bebidas em uma entrevista publicada em 2007 pelo jornal The Guardian.

"Éramos pessoas jovens que foram crianças durante a guerra. Bem, você pode imaginar o que foi se sentir livre em 1945: não ser bombardeado, não ter comida racionada, não ter restrições", declarou.

"Havia um grande entusiasmo. Não éramos bebedores solitários, entediados, bebendo vodka sozinhos em um quarto. Não, não, não. Nós saíamos pela cidade, meu bem, e bebíamos em público!", continuou.

Mas as noitadas lhe custaram o casamento. Ele teve duas filhas, fruto do casamento com a atriz galesa Sian Phillips, mas o casal se divorciou em 1979, após 20 anos de um relacionamento turbulento. Em 1983, o ator teve um outro filho com a modelo Karen Brown.

> Assista a duas cenas de Lawrence da Arabia que entraram para a história do cinema:

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