Coluna12/12/2013 | 07h01

Fábio Prikladnicki: Quatro discos

Sugestões de alguns dos discos que mais ouvi na vida e que gostaria de ter conhecido antes

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A tecnologia nos oferece muitas oportunidades para conhecer músicas que se enquadrem no nosso gosto. Sites que mostram opções de bandas parecidas com aquelas que escutamos, por exemplo. Mas e quando queremos ser surpreendidos? E quando não sabemos que vamos gostar daquilo que vamos gostar? Você pode recorrer a livros como 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer. E você pode recorrer a amigos. Nada substitui a boa e velha dica de mesa de bar. Por isso, compartilho sugestões de alguns dos discos que mais ouvi na vida e que gostaria de ter conhecido ainda antes:

> O Poeta e o Violão (1975), de Toquinho e Vinicius — Gravado em um estúdio em Milão, este álbum é tão informal que você pode ouvir o som do isqueiro sendo aceso durante as músicas. Entre uma canção e outra, Toquinho e Vinicius trocam alguns comentários. E o violão de Toquinho nunca soou tão bem. Foi o disco que me fez gostar de bossa nova. A versão em CD omite duas músicas que estavam no LP (Rosa Desfolhada e O Velho e a Flor). Mesmo assim, é uma obra-prima.

> Minha História (1994), de Baden Powell — Admiro jovens virtuoses que gostam de destruir rodas de música, sobressaindo-se aos demais. Mas eles têm muito a aprender com Baden Powell, que soube dosar, como ninguém, técnica e espírito de grupo. Repare na maneira como seu violão acompanha a flauta em Carinhoso. E repare em como seu virtuosismo voa — sempre a serviço da música — em uma imbatível versão de Canto de Ossanha. E como ginga em Deve Ser Amor. Esta coletânea reúne o fino da bossa. E do choro.

> Shoki Shoki (1998), de Femi Kuti — Foi paixão à primeira audição. Filho do grande Fela Kuti, Femi canta as belezas e as mazelas da Nigéria e, por extensão, da África. Enquanto o pai passeava pelo jazz e pelo funk, o filho vai por uma trilha mais pop, mas não menos interessante, tudo abençoado pelo afrobeat. A banda que o acompanha inclui cantores de apoio e naipe de metais. As letras políticas, cantadas em inglês com sotaque especial, são uma atração à parte.

> Re-Animation Live! (2000), de Hagans e Belden — Este disco ao vivo inacreditável do trompetista Tim Hagans e do saxofonista Bob Belden foi uma dica de um atendente de uma loja especializada em CDs, na época em que elas ainda existiam em grande número. Nunca pude abraçá-lo em agradecimento. Com uma banda que inclui baixo elétrico, bateria, sintetizador e mesa de DJ, esses caras misturam jazz e música eletrônica de uma forma que fica... legal. Se você ainda está desconfiado, cabe dizer que o álbum tem a garantia do tradicional selo de jazz Blue Note.

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