Volta às origens09/12/2013 | 17h01Atualizada em 10/12/2013 | 08h54

Cantora Monica Tomasi lança álbum "Intermitente" com show no Renascença

Em seu quinto disco, artista da Capital volta a flertar com o pop-rock que marcou início da carreira

Enviar para um amigo
Cantora Monica Tomasi lança álbum "Intermitente" com show no Renascença Elvira Tomazoni Fortuna/Divulgação
Monica diz se sentir uma "sambista holandesa" por não ter tradição no estilo a que também se dedica Foto: Elvira Tomazoni Fortuna / Divulgação
Juarez Fonseca*

Os movimentos mais ou menos recentes de Monica Tomasi insinuavam que sua carreira poderia dar uma guinada no quinto álbum, que será lançado nesta quarta-feira no Teatro Renascença.

Ela vinha tendo flertes fortes com o samba, cantou e tocou cavaquinho no show relativo ao último CD de Nelson Coelho de Castro, depois liderou o Projeto Chacona, de sambas clássicos, ao lado de instrumentistas da nova geração porto-alegrense. Mas o novo disco, Intermitente, mostra que a cantora e compositora nascida em Garibaldi e radicada em Porto Alegre desde 2001 (depois de 10 anos em São Paulo) mantém a essência ligada ao pop, base dos quatro anteriores. Já na abertura, a faixa-título é um rock divertido, ao estilo Rita Lee.

— De certa forma, este disco tem a ver com o primeiro, de 1990, mas isso não foi algo racional, está ligado à minha identidade — resume. — Quando comecei, minhas referências eram Rita, Marina, Legião Urbana, Kid Abelha, Lulu Santos. Não me preocupei com isso, deixei que fluísse.

E assim flui o CD, naturalmente pop-rock até a quinta faixa, A Folha Disse, onde há uma pequena mudança, tanto na letra ("É possível que um dia/ Eu vá morar no mato/ Com passarinhos, internet e um violão/ Tomando um mate") quanto no espírito: o pop recebe uns ares de milonga. Aí, vem Deixa o Nego Só, de Nelson Coelho de Castro, chote nordestino com ares de reggae — para Monica, um exemplo da "brasilidade contemporânea". E logo Ela Arrasta a Lua, parceria com Caio Martinez, jovem músico ligado ao samba, com ares de valsa.

Ares, ares, sendo a marca pop assegurada pelos arranjos da banda, quase sempre os bambas Marcelo Corsetti (guitarra), Luciano Leindecker (baixo) e Luke Faro (bateria), mais os violões e programações de Monica. Samba Assim (parceria com Márcio Celli) quebra as obviedades do samba, assim como Janela, parceria com Bebeto Alves e com participação dele, reafirma o pop-rock. E, então, surpresa na última faixa, Ela Vai pro Samba, com outros músicos, Ângelo Primon (violão), Matheus Kleber (acordeão), Elias Barboza (bandolim), Giovani Berti (percussão) fazendo samba explícito. Em qualquer circunstância, ela canta muito bem.

— Essa música fecha o disco deixando uma porta aberta — diz. — Quando fui estudar cavaquinho com Luiz Machado, me aproximei de uma cena diferente da minha e gostei de estar ali. Costumo dizer que sou uma "sambista holandesa", pois não tenho a tradição do samba. Me sinto mais próxima de uma sonoridade do centro do país do que daqui do Sul. Mas que tal se eu disser que meu próximo projeto é um disco cantando só músicas de Nelson Coelho de Castro?

* Jornalista, crítico de música e colunista do caderno Cultura

Siga Segundo Caderno no Twitter

  • segundocaderno

    segundocaderno

    segundocadernoPresidente da Colômbia nega que García Márquez esteja com metástase -->> http://t.co/6AMkSpdhUQ http://t.co/TKZ9stxviShá 1 diaRetweet
  • segundocaderno

    segundocaderno

    segundocadernoHumberto Gessinger participa do bate-papo "Com a Palavra", no StudioClio -->> http://t.co/1zMdAgJTlo http://t.co/0ewttpvDAIhá 2 diasRetweet
clicRBS
Nova busca - outros