História de vida e morte13/03/2013 | 15h01

Cia Rústica estreia, em Porto Alegre, saga teatral sobre anti-herói gaúcho

"Natalício Cavalo" é o segundo espetáculo da trilogia iniciada com "Clube do Fracasso", em 2010

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Cia Rústica estreia, em Porto Alegre, saga teatral sobre anti-herói gaúcho Mauro Vieira/Agencia RBS
Marcelo Mertins (D) e Lisandro Bellotto estão no elenco do espetáculo Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS
Fábio Prikladnicki

fabio.pri@zerohora.com.br

Grávida de quase oito meses (a filha se chamará Carmen), a diretora Patrícia Fagundes estreia uma peça sobre a morte, nesta sexta-feira (15/3), às 21h, no Teatro de Câmara Túlio Piva. Contradição? Não para ela.

– É quase um clichê. Deve querer dizer alguma coisa – afirma.

Em Natalício Cavalo, segundo espetáculo da Trilogia Festiva da Cia Rústica (iniciada com Clube do Fracasso, em 2010, e que será encerrada com Caóticas, sem previsão de estreia), a diretora quer fugir da caricatura do gaúcho. Seu espetáculo mais pessoal trata da representação do universo do campo. A porto-alegrense foi criada em temporadas na fazenda da mãe, em Bagé, de onde vem sua família. Lá, foram realizados ensaios de Natalício Cavalo e captadas as imagens que serão projetadas durante a peça. Mas por que ela escolheu esta ambientação para tratar da morte?

– No campo, a morte está presente de forma mais evidente. Tu vês o bicho ser morto antes de ser servido.

O maior desafio, para a diretora, foi fugir de estereótipos. O personagem do título é um anti-herói humano, demasiado humano. Em sua saga, passa por várias cidades do Rio Grande do Sul, torna-se jogador profissional, apresentador de programa de rádio tradicionalista, produtor de rodeios e se envolve com diversas mulheres, que lhe dão muitos filhos. Na peça, é vivido, em diferentes momentos, por Rossendo Rodrigues, Lisandro Bellotto e, por fim, Heinz Limaverde. Completam o elenco Marcelo Mertins, Marina Mendo e Priscilla Colombi.

O mulherengo Natalício Cavalo é também um defensor do gênero feminino. Escandaliza a sociedade ao colocar em cena mulheres domando cavalos. Assim, Patrícia desafia imagens estabelecidas:

– Venho de uma família de mulheres fortes. Nunca tive essa referência familiar machista.

A peça dá prosseguimento à pesquisa da diretora sobre a relação entre teatro e memória, que também resultou nos espetáculos O Fantástico Circo-teatro de Um Homem Só (2011) e Coração Randevu (2012). Diferentemente de Clube do Fracasso, em que os atores relatavam suas memórias, aqui há uma única história a ser contada.

NATALÍCIO CAVALO
> Estreia nesta sexta-feira (15/3). Sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 20h. Temporada até 7 de abril. Duração: 90 minutos. Classificação: 14 anos.
> Teatro de Câmara Túlio Piva (Rua da República, 575), fone (51) 3289-8093, em Porto Alegre.
> Ingressos: R$ 20. Desconto de 50% para idosos, estudantes e classe artística. À venda na bilheteria do teatro, uma hora antes do início da sessão.

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