O reino encantado de Brennand15/03/2013 | 21h07

Artista visual pernambucano é tema de documentário

Francisco Brennand ergueu um templo da artes em Recife, onde vive recluso desde 1971

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Artista visual pernambucano é tema de documentário Videofilmes/Divulgação
Documentário sobre o artista visual pernambucano Francisco Brennand está em cartaz na Capital Foto: Videofilmes / Divulgação
Ao jogar luz sobre um artista tão renomado como recluso, a diretora Mariana Brennand Fortes iluminou também uma figura complexa que faz parte de sua própria história.

Em cartaz desde sexta-feira em Porto Alegre, o documentário Francisco Brennand tem como personagem um homem que ergueu em torno de si uma fortaleza, de dentro da qual espera ver seu nome e sua obra resistir à passagem do tempo.

Francisco Brennand, tio avô de Mariana, é um conceituado ceramista, escultor e pintor pernambucano, hoje com 85 anos. Na olaria que herdou do pai, ele instalou, mais que um santuário de criação, uma espécie de parque temático circundado por esculturas gigantes e que em cada pátio, canto, corredor e parede reúne centenas de suas criações. Do lugar encravado na Várzea do Capibaribe, bairro de Recife, Brennand pouco saiu desde 1971, quando começou a erguer seu território-obra, sua Xanadu (entre os anos 1940 e 1950, ele estudou em Paris e Barcelona).

– O meu interesse era mostrar mais do que todos, inclusive eu, conheciam do Brennand artista. Ele é um homem de grande cultura, que se expressa muito bem também pela palavra. Busquei conciliar sua obra com pensamento, mostrá-lo em toda sua complexidade. Peguei ele num momento propício para o registro de sua intimidade, oportunidade muito rara – diz Mariana.

Com narração da atriz Hermila Guedes, o documentário é estruturado sobre os relatos de Brennand em diários escritos por ele desde 1941 e que trazem reflexões, sobretudo, sobre o papel da arte e do artista em um mundo que ele desbravou na juventude e, depois, passou a contemplar de sua "cidadela sitiada", vigiado por imponentes figuras moldadas na argila. Brennand fala de suas técnicas, do maior reconhecimento que gostaria de ter como pintor e exalta mestres inspiradores Gauguin e Balthus.

Foi Balthus, aliás, quem aproximou Mariana de Walter Carvalho, nome de referência no cinema brasileiro quando se fala em direção de fotografia.

– O Walter fez a fotografia de Filme de Amor (2003), do Julio Bressane, inspirado nas pinturas de Balthus. Eu estava em meio à pesquisa para o documentário e apresentei o projeto a ele falando da paixão do Brennand pelo Balthus. O Walter acabou sendo meu parceiro, o que me orgulha muito.

Com imagens captadas em 2006, Francisco Brennand ficou em pós-produção por quatro anos (2008 a 2010), cumprindo o périplo recorrente da busca por verbas. O filme foi contemplado em edital de financiamento da Petrobras e ganhou apoio na distribuição da Videofilmes, produtora que tem como sócios os diretores Walter Salles e João Moreira Salles.

– A etapa da montagem (assinada por Livia Arbex) foi complexa. Tínhamos muito material e, no meio das filmagens, encontramos numa gaveta filmes em Super-8 com imagens antigas do Brennand, que acabaram incorporadas ao filme. Apesentei um primeiro corte a Videofilmes e eles gostaram – explica a diretora.

Francisco Brennand conquistou o prêmio de melhor documentário da Mostra Internacional de São Paulo de 2012 – mais o troféu de melhor filme nacional da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). Na Capital, pode ser assistido na sala 8 do Espaço Itaú, apenas às 18h30min.

Veja o trailer de Francisco Brennand:

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