A vida na Alemanha Oriental nos anos anteriores à queda do Muro de Berlim já havia rendido um grande filme recente, o vencedor do Oscar de melhor longa estrangeiro A Vida dos Outros (2006). Agora está na pauta de outra boa produção alemã, igualmente rica em sua abordagem daquele contexto, igualmente reconhecida com um prêmio internacional – melhor direção no Festival de Berlim. Bárbara está em cartaz na Capital.
É o quinto longa do diretor Christian Petzold, e também a quinta vez que ele trabalha com a ótima Nina Hoss – por Yella (2007) ela recebeu o troféu de melhor atriz na Berlinale. No papel-título de Barbara, a loira é uma médica que é transferida para o hospital de uma localidade do interior pela Stasi. Barbara queria sair do país, por isso foi punida pela polícia política do regime comunista.
As informações sobre seu passado e o plano de fuga que ela põe em prática com o amante ocidental (Mark Waschke) são dispostas aos poucos, numa narrativa, para usar um termo duplamente apropriado, econômica. Petzold cria tensões e envolve o espectador com diálogos enxutos, confiando no poder da imagem e na expressividade de seus atores.
O ambiente opressivo está escancarado nas aparições do agente que vigia a protagonista (Rainer Bock), mas são as relações ambíguas que ela estabelece que tornam a fruição especialmente interessante. Seria a aproximação de seu novo chefe (Ronald Zehrfeld) motivada por uma genuína atração ou, em vez disso, uma estratégia da Stasi, que naqueles anos 1980 espalhara dezenas de milhares de informantes entre a população ordinária?
Mais do que isso, é no desdobramento da relação da médica com uma adolescente grávida que chega ao hospital (Jasna Bauer) que Bárbara surpreende o público e revela um humanismo que transcende questões restritas à época em que sua trama se desenvolve. É importante ressaltar: trata-se de um filme de carga política, porém, muito distante de maniqueísmos e simplificações. Não há olhar preconceituoso, à direita ou à esquerda, que resista à crueza de Bárbara.
BARBARA
De Christian Petzold. Com Nina Hoss, Ronald Zehrfeld, Mark Waschke, Rainer Bock e Jasna Bauer.
Drama, Alemanha, 2012. Duração: 105 minutos. Classificação: 14 anos.
Cotação: 4 de 5













