Autoexílio em debate18/02/2013 | 22h22

Teatro Sarcáustico discute o dilema dos artistas de ir ou ficar no Estado

Projeto 'Passaporte para o Exílio' se divide em dois eixos: virtual e performático

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Teatro Sarcáustico discute o dilema dos artistas de ir ou ficar no Estado Carlos Macedo/Especial
Thais Fernandes e Ricardo Zigomático são os diretores do projeto audiovisual 'Passaporte para o Exílio' Foto: Carlos Macedo / Especial
Fábio Prikladnicki

fabio.pri@zerohora.com.br

Ficar ou ir embora do Rio Grande do Sul? Esta é a pergunta que se fazem 10 entre 10 artistas gaúchos e que ocupa os integrantes do Teatro Sarcáustico, um dos grupos mais importantes em atividade no Estado.

Agora, eles decidiram compartilhar a questão com outros artistas e com o público no projeto Passaporte para o Exílio.

São dois eixos. O primeiro deles consiste em um blog e página no Facebook onde está registrado o processo de pesquisa do grupo, com conteúdo multimídia atualizado constantemente. Conta com posts dos integrantes do Sarcáustico e com colaborações de outros participantes. Estão lá materiais exclusivos, como entrevistas em vídeo com artistas de teatro, música, cinema e artes visuais. Desde o final de janeiro, estão disponíveis depoimentos de Yamandu Costa e de Zé Adão Barbosa. Em fevereiro, serão acrescentadas conversas com o cineasta Jorge Furtado e com o artista Túlio Pinto.

O outro eixo do projeto é a performance audiovisual que será realizada no dia 10 de março, às 15h e às 16h, na Usina do Gasômetro, na Capital, com o resultado do processo. Na performance, Daniel Colin e Guadalupe Casal incorporarão atores de Porto Alegre que se questionam sobre a ideia de ir em busca de novas oportunidades de trabalho e de exposição no centro do país. Eles estarão em uma caixa, preservados da observação do público, que poderá vê-los exclusivamente por meio de um monitor instalado no local, como em um reality show. Quem não puder comparecer poderá assistir por meio de uma transmissão, em tempo real, no blog. Ao final, caberá ao público decidir se os atores devem ir ou ficar.

O tema não é novo na trajetória do Sarcáustico. Motivou a performance PORTO – A Cidade como Palco de uma Antidiáspora, em 2012, mas estava na lista de projetos já em 2009. Desde então, o grupo amealhou as principais categoria do Prêmio Açorianos de Teatro, em 2010, com a peça Wonderland e o que M. Jackson Encontrou por Lá e o Prêmio Braskem de melhor espetáculo, no ano seguinte, por Breves Entrevistas com Homens Hediondos. O reconhecimento trouxe de volta o antigo questionamento. Mas o grupo garante que não se trata de um adeus.

— Temos vontade de viajar, juntos ou separados, mas não sentamos para pensar em levar o grupo para algum lugar. Preferimos botar na roda essas questões — despista Ricardo Zigomático, um dos diretores do projeto, ao lado de Thais Fernandes.

— Não é o tipo de coisa que se planeja — completa Thais. — O Sarcáustico não tem um lugar, um ponto fixo.

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