Veteranos de apresentações no Planeta Atlântida, os cariocas d’O Rappa estão novamente no line-up do festival. A banda vem com um show recheado de sucessos de seus quase 20 anos de estrada, todos devidamente revisitados no último trabalho do grupo, o CD e DVD Ao Vivo, gravado na Rocinha em 2010. Em entrevista por e-mail ao Segundo Caderno, o vocalista Falcão falou sobre a renovação de seu público, a importância do palco para o grupo e o que esperar do próximo disco de inéditas da banda.
Zero Hora – Vocês são uma banda com público fiel e antigo, e um grupo de forte teor social nas letras. O quão importante é seguir tocando para adolescentes em festivais como o Planeta?
Falcão – É crucial. É aí que as coisas seguem adiante, se renovam. E é cativando essa galera que você renova suas energias para investir em coisas novas. Ao mesmo tempo, é um desafio cativar essa gurizada cada vez mais conectada, ligada em várias paradas num mesmo minuto. Mas, quando você olha a galera que vai ao nosso show, que é também a galera que vai ao Planeta, vai ver que o público foi se renovando ao longos dos anos. Temos uma audiência com a faixa etária bem ampla.
ZH – O que dá pra adiantar do show que vocês pretendem fazer no Planeta? Será semelhante ao Ao Vivo na Rocinha?
Falcão – Esse show muda de cidade para cidade, de tempos em tempos. Os arranjos são diferentes do DVD, a gente tem uma postura de improvisar umas coisas. São muitos anos de estrada, é munição para fazer o show que a gente quiser. O setlist de festival também é diferente.
ZH – O disco mais recente de vocês é ao vivo. Que lugar ocupam o palco e os shows, na equação da banda?
Falcão – Um lugar privilegiado, com certeza. É uma característica nossa ter uma energia ainda maior no palco, na execução ao vivo. Acho que tem a ver com dar o seu melhor, sem medo de errar, ou de saber que ali não tem segunda chance (risos). A gente tanto sabe, que estamos trabalhando para ter isso no próximo disco de alguma maneira. Aliás, pouca gente sabe, mas voltamos para a estrada recusando fazer muitos shows para realizar apresentações ainda melhores, tornar aquela noite em que o cara escolheu ver a gente tocar algo especial. Quando O Rappa vai para o palco, é coisa séria (risos).
ZH – O último álbum de estúdio d’O Rappa é de 2008. O que a banda tem feito que possa resultar no próximo disco de estúdio? Há algo encaminhado?
Falcão – Com certeza. Estamos em estúdio formatando o material inédito que temos, criando coisas novas. Só que a gente faz isso no nosso tempo, do nosso jeito. Já, já vem o novo single, mas a ideia é que esse disco conte uma história em nove ou 10 canções. Algo que reflita o que somos e que acrescente algo no cenário pop/rock.
ZH – São quase 20 anos juntos. Como é conciliar vontades e opiniões depois de tanto tempo?
Falcão – A gente desenvolveu um método de trabalho coletivo. Não chega ser uma parada tipo um escritório (risos), mas já é o bastante para dar espaço para todo mundo expor suas ideias. E a gente viu que é quando todo mundo participa que a coisa ganha força e tem a cara d’O Rappa.
ZH – Vocês nunca pensaram em lançar um material para colecionador, como demos e raridades guardadas ou algo pensado para a internet? Teria material para isso?
Falcão – A gente desenvolveu uma relação muito especial com nosso público na internet. Temos mais de um milhão (de fãs) no Facebook, já liberamos versões para audição no site, informações em primeira mão. E temos um disco novo vindo por aí. Não descartamos novas possibilidades.
ZH – Com exceção d’O Rappa, é difícil ouvir bandas de rock com engajamento social e político. Parece que hoje as preocupações são outras, apesar dos problemas serem os mesmos ainda. Como vocês avaliam esse cenário?
Falcão – Difícil falar sobre o que motiva as pessoas a fazerem música. Tem também o cenário em que essas bandas surgiram, as influências, motivações. A gente também não fala só de temas sociais, por exemplo. Não acho isso ruim, é apenas uma época diferente. Até porque a temática social continua presente com o rap, que puxou essa fila nos últimos anos. E a molecada tem ouvido rap mais do que nunca.













