De um lado, discurso afiado e muita atitude. Do outro, boas vibrações e alto-astral. Rap e reggae dividiram os corações e ouvidos do público na 18ª edição do Planeta Atlântida.
No Palco Central e nos palcos paralelos, artistas dos dois gêneros foram responsáveis pelos melhores shows do festival, que ocorreu no último final de semana, na Saba.
O reggae embalou a noite de sábado (16/2). Uma das atrações mais pedidas pelos planetários, Armandinho não decepcionou. Sacando hits de seus mais de 10 anos de carreira, o cantor manteve o público saltitante durante o pôr do sol com Desejos do Mar e Reggae das Tramanda e dançando juntinho com Amor de Primavera e Desenho de Deus. Provando ser bom de parcerias, chamou para cantar Nego Joe (Rosa Norte), Tati Portella (Versos Simples e Do Lado de Cá) e Neto Fagundes (Semente).
Ainda na batida do reggae, mas já com a noite alta, os norte-americanos do SOJA (Soldiers Of Jah Army) provaram por que são uma das bandas mais queridas pelos gaúchos. Escalados de última hora, os regueiros fizeram um show de alto apuro técnico, mas também emocionante e surpreendentemente dinâmico para uma banda do gênero. Sem deixar a plateia descansar, emendaram uma faixa atrás da outra – incluindo Everything Changes, com participação de Falcão, vocalista d’O Rappa.
Na sexta-feira, o rap dominou o Palco Central e o Palco Pretinho Convida. No principal espaço do Planeta, os Racionais MC’s protagonizaram um show histórico e nada saudosista. Focados em mostrar músicas novas, Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay abriram mão de clássicos como Diário de um Detento, Fim de Semana no Parque e Homem na Estrada para apresentar as inéditas Nova Função, Mil Faces de Um Homem Leal, Cores e Valores e outras duas ainda sem nome.
Reverente, a plateia acompanhou as músicas desconhecidas como podia, dançando ou tentando cantar os refrões. Mas o ápice veio com a execução das faixas do último álbum do grupo, Nada Como Um Dia Após Outro Dia, de 2002. Do álbum duplo foram cantadas Eu Sou 157, Expresso da Meia-Noite, Da Ponte Pra Cá, Jesus Chorou e Negro Drama – provavelmente um dos momentos mais catárticos do show, cantada em uníssono pelo público do começo ao fim.
No Palco Pretinho Convida, a periferia de São Paulo se encontrou com a periferia do Rio de Janeiro, nas figuras dos paulistanos Emicida, Projota e Pollo e dos cariocas do ConeCrewDiretoria. Depois de se apresentar, Projota falou que o crescimento do rap no Planeta é uma consequência da evolução do gênero no Brasil e que o festival “foi um dos pioneiros em perceber e abrir esse espaço”.













