Novo trabalho18/02/2013 | 18h04

Nick Cave & the Bad Seeds lança disco melancólico

Push the Sky Away tem nove faixas que transitam entre o gospel e o gótico

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Nick Cave & the Bad Seeds lança disco melancólico Reprodução/Reprodução
Grupo de Nick Cave já tem quase duas décadas de carreira Foto: Reprodução / Reprodução
Gustavo Foster

O novo disco de Nick Cave & the Bad Seeds, recém-lançado nos Estados Unidos e na Europa, mostra uma notável evolução sonora do grupo em relação a suas últimas gravações.

Intitulado Push the Sky Away, o álbum conta com nove faixas sombrias, em que as melodias de Cave se destacam sobre os sutis (mas contundentes) instrumentos tocados pelos excelentes músicos que o acompanham.

Desde que formou o projeto paralelo Grinderman – em que apostava mais em guitarras rasgadas e bateria barulhenta –, Nick Cave havia lançado apenas um disco com os Bad Seeds. Com Push the Sky Away, ele parece dar um novo rumo a seu grupo de quase duas décadas.

O músico nunca conseguiu ficar preso a apenas um estilo musical. Por isso, criou diferentes bandas, apresentou-se de variadas maneiras e transitou livremente entre sonoridades distantes, do rock de garagem ao pós-punk.

Push the Sky Away apresenta um cantor – e, principalmente, um compositor – ainda mais introspectivo, que dá importância fundamental ao silêncio nas composições e faz uso exemplar da voz nas execuções. O clima fica entre o gospel, com corais infantis, ecos exagerados e arranjos de cordas, e o gótico, com letras macabras e arranjos estourados de contrabaixo. Nick Cave descreve o álbum da seguinte maneira, em seu site:

– Se eu fosse usar a metáfora de álbuns serem como filhos, então Push The Sky Away é o bebê fantasma na incubadora, e os arranjos de Warren (Ellis, multi-instrumentista do conjunto) são os seus minúsculos e titubeantes batimentos cardíacos.

A fragilidade da imagem se aplica perfeitamente a quase todas as faixas do disco, principalmente no primeiro single We No Who U R e nas soturnas Jubilee Street e Higgs Boson Blues. Cada nota parece ser tocada com o máximo esforço e afinco necessário. Cave demonstra cuidado e precisão na introdução dos vocais, como se esperasse a hora exata de cada entrada. Em determinado momento, a beleza das melodias fica tão simples – mas ao mesmo tempo tocada com tanta exatidão – que é impossível não sentir a agonia impressa na música, principalmente ao saber que tudo foi composto por um homem que mora na beira de um rio e gravado numa mansão do século 19 no sul da França. Em uma época em que há cada vez mais bandas jovens fazendo músicas divertidas e alegres, é no mínimo interessante ouvir um disco assumidamente cinzento.

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