Volta ao mundo em oito semanas17/02/2013 | 10h02

Mundo Ibérico: O velho e o novíssimo

Série especial sobre as melhores cinematografias do século 21 será publicada semanalmente até o fim de fevereiro

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Mundo Ibérico: O velho e o novíssimo Gullane Filmes/Divulgação
Cena de 'Tabu' (2012), do português Miguel Gomes Foto: Gullane Filmes / Divulgação

Terra do mais longevo dos grandes diretores em atividade (Manoel de Oliveira, 104 anos), Portugal também é a pátria de jovens cineastas autores de obras cujo vigor só pode ser comparado ao de poucos outros países no planeta. É por lá, e pela sua vizinha Espanha, que ZH passa na sétima parte do especial sobre grandes inematografias do século 21, apresentado ao longo das oito segundas-feiras de janeiro e fevereiro.

Leia o texto inaugural da série, sobre o cinema da Ásia Extrema

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Pedro Almodóvar, Bigas Luna, Carlos Saura – a Espanha tem muitos cineastas de obra difundida por aqui. Então, você pode perguntar, faz o que numa série que chama a atenção para o que ainda precisa ser descoberto, e por isso excluiu o cinema de Itália, França e Alemanha? Na verdade, a produção espanhola ainda tem facetas a serem desbravadas. Está aqui por isso. E para fazer companhia a uma das cinematografias mais promissoras do mundo hoje – a de Portugal.

Vem de lá um dos filmes mais impressionantes dos últimos anos: Tabu (2012), drama que Miguel Gomes realizou após a consagração com Aquele Querido Mês de Agosto (2008). Vem de lá talvez o mais interessante folhetim realizado em décadas: Mistérios de Lisboa (2010), monumental adaptação de Camilo Castelo Branco capitaneada pelo franco-chileno Raoul Ruiz.

Em meio a adaptações literárias e filmes de época, despontam, em Portugal, pelo menos duas gerações muito próximas de cineastas, que apostam num realismo tipicamente contemporâneo, na contramão da aceleração do cinema espetaculoso tão em voga, para contar histórias de uma juventude um tanto desiludida. Pedro Costa (de No Quarto de Vanda) e João Pedro Rodrigues (Odete) são os nomes mais conhecidos, mas há uma série de seguidores, em sua maioria mais jovens do que eles, cuja obra vem sendo cada vez mais incensada. Entre eles estão João Rui Guerra da Mata (A Última Vez que Vi Macau), João Canijo (Sangue do Meu Sangue) e João Salaviza (cineasta de 28 anos que já ganhou um Urso de Ouro em Berlim e uma Palma de Ouro em Cannes com os curtas Rafa e Arena).

Você nem precisa ser um cinéfilo atento para lembrar que ainda nem se falou, aqui, do belo documentário José e Pilar (de Miguel Gonçalves Mendes, 2010) e do centenário Manoel de Oliveira, que apenas com seus longas dos anos 2000 (Um Filme Falado, Sempre Bela) possui uma obra sólida como a dos melhores cineastas do mundo. Trata-se da improvável amplidão da cinematografia portuguesa do novo milênio.

Na Espanha, além de Almodóvar (que está em sua melhor fase, pós-Carne Trêmula, com grandes filmes como Volver e Tudo sobre Minha Mãe), você deve prestar atenção em diretores como Isabel Coixet (de Minha Vida sem Mim), Fernando León de Aranoa (Segunda-feira ao Sol), Álex de la Iglesia (La Comunidad), Daniel Monzón (Cela 211), Icíar Bollaín (Te Dou Meus Olhos) e Agustí Villaronga (Pa Negre), entre outros. Alejandro Amenábar (Mar Adentro) e Juan Antonio Bayona (O Impossível) já foram cooptados por Hollywood, enquanto o realizador de origem mexicana Guillermo del Toro, desde A Espinha do Diabo (2001), se dá ao luxo de escolher o projeto, o país e os parceiros com quem trabalhar.

Realizador de O Labirinto do Fauno (2006), Del Toro é um dos mais influentes cineastas do mundo. Entretanto, quem faz uma síntese possível, em sua obra, do cinema espanhol contemporâneo, é o basco Julio Medem: desde os anos 1990, seus filmes pensam a história de um país de identidades regionais diferenciadas (Vacas, Terra), absorvem a diluição das fronteiras internacionais nestes anos 2000 (Um Quarto em Roma, 7 Dias em Havana), voltam a temas fundamentais como vingança, justiça e a busca de um lugar no mundo (Caótica Ana, La Pelota Vasca) e alcançam seu ponto mais alto ao falar dos relacionamentos, suas possibilidades e consequências (Lucía e o Sexo e Os Amantes do Círculo Polar, este último voltando ao finzinho do século 20).
O cinema espanhol é múltiplo, e especialmente rico quando fala de amor.

Top 10
Filmes produzidos depois do ano 2000 nos países Ibéricos:

O Fantasma, de João Pedro Rodrigues (Portugal, 2000)
Lucía e o Sexo, de Julio Medem (Espanha, 2001)
Fale com Ela, de Pedro Almodóvar (Espanha, 2002)
A Vida Secreta das Palavras, de Isabel Coixet (Espanha, 2005)
O Labirinto do Fauno, de Guillermo del Toro (Espanha, 2006)
Juventude em Marcha, de Pedro Costa (Portugal, 2006)
O Orfanato, de Juan Antonio Bayona (Espanha, 2007)
Singularidades de uma Rapariga Loira, de Manoel de Oliveira (Portugal, 2009)
Balada do Amor e do Ódio, de Álex de la Iglesia (Espanha, 2010)
Tabu, de Miguel Gomes (Portugal, 2012)

Todos os textos da série:
7/1 – Ásia Extrema
14/1 – Leste Europeu
21/1 – Universo Nórdico
28/1 – Oriente Exótico
3/2 – México e América Central
10/2 – União das Ex-Repúblicas Soviéticas
17/2 – Mundo Ibérico
24/2 – Mediterrâneo Oriental

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