Depois de duas visitas à Ásia e outras duas à Europa, uma viagem ao México. E, aproveitando, uma espiadela naquilo que os países vizinhos da América Central, como Guatemala, República Dominicana e, sobretudo, Cuba, têm a mostrar aos cinéfilos neste século 21. É a quinta parte da série que ZH apresenta todas as semanas, até o fim de fevereiro, sobre grandes cinematografias atuais.
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Cadê a Argentina?, você pode questionar. Se já conferiu o cronograma da série talvez estranhe que a única menção à América faça referência ao México e seus vizinhos. É que a proximidade e a boa fama garantem que o cinema argentino seja difundido, entre nós, como o são as produções de França, Itália e Alemanha. E falar de cinematografias tão familiares fugiria do propósito, que, aqui, é servir de guia de viagem para o exercício de uma cinefilia essencialmente desbravadora.
Faria sentido falar de Chile e Uruguai, mas faz ainda mais ressaltar que, na carona do cinema mexicano, em sistema de coprodução com os gigantes do norte, Guatemala e República Dominicana têm lançado longas de maneira cada vez mais constante. A Guatemala é o berço de documentários políticos e de ficções selecionadas para festivais internacionais, como El Sistema (de Humberto Espinal, 2006), Yuniol (Alfonso Rodrígues, 2007) e Distância (Sérgio Ramirez, 2011), enquanto os dominicanos vêm se aventurando por gêneros (da comédia ao thriller policial), além de produzirem pelo menos um título impressionante: Jean Gentil (Israel Cárdenas e Laura Guzmán, 2010).
Ao que consta em reflexões e críticas disponíveis, o cinema da região tem uma considerável inocência, além dos típicos excessos cometidos pelos principiantes na manipulação da linguagem – La Yuma (Florence Jaugey, 2009), único longa produzido na Nicarágua desde a virada do milênio, deixa essa exata impressão.
Não se pode dizer o mesmo de Cuba e México. Pós-geração de Humberto Solás e Tomás Gutiérrez Alea, o cinema cubano mostra mais diversidade e menos projeção mundial. De lá vêm o drama musical Habana Blues (Benito Zambrano, 2005), a aventura no mar Una Noche (Lucy Mulloy, 2011) e, veja só, a analogia política com zumbis Juan de los Muertos (Alejandro Brugués, 2010). Entre filmes de veteranos como Juan Carlos Tabío (El Cuerno de la Abundancia, 2005) e o surgimento de jovens como Juan Carlos Malberti (Nada Más, 2003), o destaque é o documentário Suíte Havana (2003), de Fernando Pérez.
A produção mexicana é ainda mais diversificada. E mais homogênea. Não pense que sua força está restrita à onda iniciada com Amores Brutos (Alejandro G. Iñárritu, 2000) e E sua Mãe Também (Alfonso Cuarón, 2001), ou aos projetos que a seguiram, como os bons Rodo e Cursi (Carlos Cuarón, 2008), com Diego Luna e Gael García Bernal, e Abel (2010), estreia de Luna na direção. Essencialmente regionalizada e impulsionada por festivais que estimulam a renovação, como o de Guadalajara, a cinematografia do México tem um padrinho de 70 anos que parece um guri desbravando o vídeo digital (Arturo Ripstein, de La Virgen de la Lujuria), um prodígio original reconhecido nos grandes festivais (Carlos Reygadas, de Japão) e uma nova e promissora geração.
Nicolás Pereda, representante dessa turma no Top 10 ao lado, tem 31 anos e seis longas-metragens, que lhe renderam troféus em Toronto e Veneza. Em todos se vê Gabino Rodríguez, também protagonista de A Tiro de Piedra (2010), de Sebastián Hiriart, outro expoente dessa novíssima geração. E todos ecoam questões sociais candentes, como o isolamento urbano e a violência.
Violência? Há em Miss Bala (Gerardo Naranjo, 2011). A solidão e suas compensações? Aparecem em Año Bisiesto (Michael Rowe, 2010). De pegada política mais explícita, há Sin Nombre (Cary Fukunaga, 2009). E, numa categoria “sub-Guillermo del Toro”, há, entre outros, Não Tenha Medo do Escuro (Troy Nixey, 2010). Sentiu falta de Del Toro? O diretor de O Labirinto do Fauno é mexicano, mas seus filmes são, na maioria, produções espanholas. Tema para outro capítulo da série.
Top 10
Filmes da América central pós-anos 2000:
Así És la Vida, de Arturo Ripstein (México, 2000)
Lista de Espera, de Juan Carlos Tabío (Cuba, 2000)
Amores Brutos, de Alejandro González Iñárritu (México, 2000)
E sua Mãe Também, de Alfonso Cuarón (México, 2001)
Suíte Havana, de Fernando Pérez (Cuba, 2003)
O Violino, de Francisco Vargas (México, 2005)
Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas (México, 2007)
Zona do Crime, de Rodrigo Plá (México, 2007)
Jean Gentil, de Israel Cárdenas e Laura Guzmán (República Dominicana, 2010)
Verano de Goliat, de Nicolás Pereda (México, 2010)
Todas as matérias da série:
7/01 Ásia Extrema
14/01 Leste Europeu
21/01 Universo Nórdico
28/01 Oriente Exótico
3/02 América Central
10/02 União das Ex-Repúblicas Soviéticas
17/02 Mundo Ibérico
24/02 Mediterrâneo Oriental








