De um pequeno apartamento na Zona Norte de Porto Alegre, abarrotado de discos de vinil, fitas VHS e gibis, ecoa uma música que ultrapassa fronteiras e confirma os novos alicerces da produção musical. Projeto que integra instrumentistas de várias parte do mundo, o Worldengine, acaba de soltar Dark Matters, seu primeiro trabalho.
Tudo começou na cabeça de Valmor Pedretti Jr., músico aplicado, fã de rock progressivo e desenhista diletante. Em meados de 2005, ele decidiu montar uma banda e começou a chamar os amigos. Cidadão do mundo, cheio de conexões virtuais espalhadas pelo globo, Pedretti não demorou a convencer gente dos recônditos do planeta a embarcar no projeto – que não poderia ter outro nome que não Worldengine (motor do mundo, numa tradução direta). Aos poucos, as primeiras faixas foram ganhando forma.
– Eu enviava uma demo, e eles criavam em cima dela. Mas, como tudo foi feito no amor, algumas coisas demoraram a chegar, como um trecho de bateria que tivemos que esperar por um ano – lembra Pedretti.
Apesar da demora, o sistema funcionou e, em 2010, um núcleo local foi consolidado para dar forma ao disco. No apartamento/estúdio/escritório de Pedretti, juntaram-se Cristiana Camboim (voz), Vinícius Möller (teclados), Andrio Maquenzi e Brenno Di Napoli (guitarras) e Thiago Grün (produção). Essa turma deu corpo ao Worldengine e agilizou o que faltava para o álbum.
Em seu corte final, Dark Matters apresenta oito faixas com a participação de 17 instrumentistas de lugares tão díspares quanto Macedônia e Noruega, e nenhuma grande produção. Feito em casa, o álbum só demandou boas horas em frente ao computador, o que conferiu uma liberdade que o grupo não teria de outra maneira.
– Gravar em estúdio é hoje mais fetiche do que necessidade. Sabendo pilotar os plug-ins certos, você grava um disco com agilidade e qualidade sem gastar um caminhão de dinheiro – salienta Pedretti.
E não faltaram bons pilotos ao Worldengine. Dark Matters é um disco com proposta definida – um passeio pelo lado escuro da existência humana, que começa pela belíssima capa – e sonoridade calcada no post-rock pendendo para o progressivo, com faixas de até nove minutos que vão trafegando por diversos espectros sonoros.
A participação estrangeira brilha em momentos pontuais, como o violão do francês Pipo na delicada What Am I Missing Today, ou o arrepiante conto An Outsider, cortesia do indiano Soumya Sen, narrado pelo americano Christopher Guetig. Sem contar a bateria do também americano Russell Lee, conduzida com segurança por todo o disco. Desde já um dos grandes álbuns de 2013, Dark Matters pode ser ouvido e baixado no site da banda.
Veja a formação da banda:
Guitarras de Adi Imeri (Macedônia) e Andrio Maquenzi, Brenno Di Napoli e Marcos De Ros (Brasil)
Teclados de Roar Brattås (Noruega) e Vinícius Möller e New (Brasil)
Bateria de Russell Lee (EUA) e Paul Schreier (Alemanha)
Vocais de Bruce Soord (Inglaterra) e Cristiana Camboim (Brasil) e letras de Lilac Harel (Israel) e Soumya Sen (Índia)
Violão de Pipo (França)
Baixo de Frank Heim (Alemanha)








