Tudo dominado21/01/2013 | 15h45

Racionais MC's, Planet Hemp e Emicida encabeçam o time do rap no Planeta Atlântida

Conheça todas as bandas do gênero que se apresentam no festival

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Racionais MC's, Planet Hemp e Emicida encabeçam o time do rap no Planeta Atlântida Charles Guerra/Agencia RBS
Racionais MC's tocaram no Planeta em Santa Catarina Foto: Charles Guerra / Agencia RBS
Fernando Corrêa e Gustavo Brigatti

O rap nasceu como uma forma legítima de protesto, uma música feita para dar voz à quem não tinha voz. Mas, tal qual o punk, uma vez absorvido pelo sistema que tanto combatia, acabou se transformando e transformando o seu redor. Hoje, trafega livre pelo mainstream e exerce influência sobre a música e o estilo de um sem número de bandas. Neste Planeta Atlântida, esse fenômeno poderá ser conferido de perto e em suas mais variadas formas. Conheça as bandas:

Racionais MC's
Dia 1/2, no Palco Central

No final dos anos 1980, quatro garotos começaram a rimar sobre uma realidade que acreditavam ser restrita a eles. Carregados de uma revolta genuína, Mano Brown, Ice Blue, Edy Rock e KL Jay surgiram falando sobre violência policial, racismo, falta de perspectiva e desigualdade social - temas familiares para quem vivia (e ainda vive) na periferia de São Paulo.

O que eles não previam é que sua música encontraria um eco tão forte de norte a sul do país, tornando os Racionais MC's sinônimo de rap no Brasil.

Da estreia em disco, em 1988, na coletânea Consciência Black, passando pela entrada no mainstream com Sobrevivendo no Inferno (1997) até o lançamento de sua última música inédita, Mil Faces de Um Homem Leal, em 2012, os Racionais seguem como o mais relevante grupo de rap do Brasil. E vêm ao Planeta Atlântida pela segunda vez: a primeira foi em 2005, na esteira do lançamento de Nada como um Dia Após o Outro Dia (2002), seu último disco de inéditas.

Grupo que não faz questão de publicidade, os Racionais concedem raríssimas entrevistas, não aparecem na TV (seu show no Planeta não será transmitido, por exemplo) e restringem suas apresentações à periferia dos grandes centros. Por isso, a possibilidade de vê-los ao vivo no próximo dia 1º de fevereiro, na Saba, é uma oportunidade histórica.

Além de clássicos como Fim de Semana no Parque e Diário de um Detento, a banda deverá tocar canções inéditas do aguardadíssimo (e eternamente prometido) novo disco.

Conecrew
Dia 1/2, no Palco Pretinho Convida

Formado por um DJ e seis MCs, o ConeCrewDiretoria vem levando adiante a tradição do rap carioca inaugurada por seus conterrâneos do Planet Hemp. Reunidos em 2006, um ano depois já tinham lançado seu primeiro disco, marcado por letras em que a atmosfera de um Rio de Janeiro largado e praiano é harmoniosamente mesclada ao discurso de protesto por causas que vão da indignação contra a corrupção à marcante defesa da legalização da maconha.

- Quando tocamos para a molecada, não ficamos impregnando a cabeça deles com o discurso sobre a legalização. Procuramos sempre passar um papo maneiro para a galera estudar e não se perder - afirma o MC Rany Money, para quem os adolescentes não devem ser blindados em relação a questões como essa. - Está todo mundo exposto a essa realidade e é um debate cada vez mais presente, não pode ser tabu.

À semelhança do que ocorreu com o Planet Hemp, o Cone se projetou e conquistou espaço a ponto de extrapolar o segmento do rap. A faixa Chama os Muleke, primeiro single do disco Com os Neurônios Evoluindo, de 2011, acumula mais de 8,5 milhões de visualizações no YouTube. A proximidade com o Planet não fica por aí: o cantor Marcelo D2 participa da faixa Falo Nada - encontro que por pouco não rolará de novo em Atlântida, já que o Cone toca na sexta, e o Planet Hemp, no sábado. Segundo Rany, não é improvável, no entanto, que alguma surpresa pinte no show:

- Estamos querendo finalizar uma música nova para ver se dá tempo de mostrar por aí, mas ainda não sei se vai rolar.

Planet Hemp
Dia 2/2, no Palco Central

A volta do Planet Hemp à ativa foi desses eventos inesperados que acabam se provando indispensáveis. Passados 17 anos do lançamento do seminal Usuário – disco que entrega no título a que veio –, o grupo de músicos cariocas se reuniu para uma turnê que lotou casas por todo o Brasil. Inesperado porque, além das desavenças que surgem e da maturidade que torna ultrapassado o discurso rebelde e juvenil, parte dos músicos da banda trilhou bem-sucedidas carreiras solo, sendo Marcelo D2 o mais expressivo. Indispensável porque a banda reunida apresenta, com energia de moleque, canções que não merecem cair no esquecimento.

Os shows mantêm as características que cravaram o nome da banda na história recente da música brasileira e lhe garantiram três discos de ouro: a mistura explosiva de rap, hardcore e ragga, letras que falam abertamente sobre temas espinhosos como a legalização da maconha e talento em dar à mistura que ferve nesse caldeirão, mais do que peso, consistência.

No Planeta Atlântida, a banda deve repetir o que fez nas demais apresentações da turnê, em que revisita sua carreira em três atos. O primeiro é dedicado ao bombástico Usuário, com hinos noventistas como Dig Dig Dig (Hempa) e Legalize Já. O segundo, com canções de Os Cães Ladram mas a Caravana Não Para como o hit Queimando Tudo. E o terceiro, dedicado a A Invasão do Sagaz Homem Fumaça.

Projota
Dia 1/2, no Palco Pretinho Convida

A forte veia melódica que o paulistano José Tiago Sabino Pereira, o Projota, combina com suas rimas afiadas pode ser atribuída a seu passado. Autodidata ao violão, cresceu rodeado de rock, samba e sertanejo. Mas foi em artistas nacionais como MV Bill e Racionais MCs e no R&B norte-americano que o MC parece ter buscado inspiração para seus raps, ora protestos da mesma escola de Emicida, ora incursões pelo universo das relações amorosas.

Em seu perfil no Twitter, três palavras - foco, força e fé - parecem resumir o que guia suas composições. É também pela rede social que Projota tem visto seu nome chegar mais longe: o webclipe Muleque Doido, lançado no fim de 2010, foi parar no ranking dos assuntos mais falados no site.

Com quatro trabalhos na bagagem, entre mixtapes, discos e EPs, Projota chama atenção também por rimar e cantar sobre os relacionamentos. Em 2011, antes de lançar seu disco mais recente, Não Há Lugar Melhor no Mundo que o Nosso Lugar, o rapper gravou o EP Projeção pra Elas, repleto de canções românticas dedicadas às mulheres de sua vida.

Projota chega ao Planeta com seu primeiro DVD na bagagem, Realizando Sonhos, gravado em Curitiba e lançado no ano passado.

Pollo
Dia 1/2, no Palco Pretinho Convida

Criado em 2010 pelos paulistanos Adriel e Tomim (ambos na faixa dos 20 anos), o Pollo é o que se pode chamar de rap emo. Aproveitando a estrutura do gênero, eles deixam de lado seus assuntos mais caros - como violência, criminalidade e desigualdade social - e focam no amor. Tanto que a faixa de maior sucesso do Pollo no YouTube é a balada romântica Vagalumes, com a participação do cantor Ivo Mozart - em cinco meses, o vídeo acumula quase 15 milhões de acessos.

A temática é a mesma em As Quatro, outro hit na internet, e Trama, primeira composição do grupo a ganhar a rede. O Pollo também foge dos cânones do estilo ao apostar no humor: na canção Piritubacity, eles fazem uma divertida homenagem ao bairro da capital paulista onde moram - e ainda riem do próprio nome, que em espanhol significa frango. A estreia em disco, prevista para este ano com o sugestivo nome de Vim pra Dominar o Mundo, não deverá fugir da fórmula que vem consagrando a dupla:

- Misturamos os sons que curtimos, criando uma nova cara para a nossa música - define Adriel.

Emicida
Dia 1/2, no Palco Pretinho Convida

Se o bom momento do rap nacional tem um marco inicial, certamente é a passagem de Leandro Roque de Oliveira, o Emicida, do ungerground paulistano para a grande mídia. A impulsão tem o nome sugestivo de Triunfo - single que, ao atingir 2 milhões de visualizações na web, chamou atenção de público e crítica para esse garoto da periferia.

A primeira mixtape de Emicida, Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, Até que Eu Cheguei Longe..., teve algumas milhares de cópias vendidas no boca a boca e levou o rapper ao Vídeo Music Brasil 2009, da MTV. Naquele ano, Emicida ficou apenas nas indicações. A consagração no prêmio veio em 2011, com o segundo disco, Emicídio: ele levou os troféus de artista do ano e clipe do ano, pelo vídeo da música Então Toma.

As letras de Emicida, com citações que vão de Marthin Luther King a Donald Trump, dão mensagens de perseverança, marcada pela fluidez do improviso - estilo de rima que deu ao artista múltiplas vitórias em batalhas de MCs de São Paulo - e hoje conquista fãs Brasil afora.

Com os rappers e amigos Projota e Rashid, Emicida formou o projeto Os Três Temores - parceria que ele pode repetir, ainda que desfalcada, com Projota, já que os dois se apresentam no Planeta Atlântida na sexta-feira, no palco Pretinho Convida. Na edição do festival em Floripa, o encontro se deu - e o público foi à loucura.

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