Indie antes do indie14/01/2013 | 16h01

Prestes a completar 30 anos, Yo la Tengo lança novo disco

Em "Fade", a banda une guitarras distorcidas, arranjos delicados e doces orquestrações

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Prestes a completar 30 anos, Yo la Tengo lança novo disco Matador Records/Divulgação
James McNew, Georgia Hubley e Ira Kaplan formam o Yo la Tengo Foto: Matador Records / Divulgação

Na capa de Fade, novo disco do Yo la Tengo, há uma árvore gigante, diante da qual seus integrantes parecem minúsculos. É como se a banda dissesse que ser fiel às próprias raízes é também resistir ao tempo.

Às vésperas de completar 30 anos, o cultuado trio de Nova Jersey, EUA, lança nesta terça-feira (15/01) seu 13º álbum de estúdio.

A mesma árvore da capa aparece em dois vídeos de divulgação do disco. Na música Before We Run, ela inspira uma animação colorida. Já em Ohm, aparece toda desfolhada. Ao ser enquadrada fixamente, suas imagens são reproduzidas em alta velocidade, mostrando o transcorrer de um dia no Overlook Park, em Portland. Diante da movimentação acelerada de nuvens, pessoas e pássaros em seu entorno, a árvore permanece ali, no máximo tendo seus galhos balançados pelo vento. A inspiração, disse o vocalista e guitarrista Ira Kaplan, veio da música A Day in the Life of a Tree, dos Beach Boys.

A mesma ideia de resistência passada pela imponente árvore se aplica à trajetória que o grupo mantém desde 1984. O Yo la Tengo é de uma época em que ser indie significava atuar de forma independente, à margem do mercado musical. Mantendo-se autêntico, o grupo criou uma discografia regular – I Can Hear the Heart Beating as One (1997) ainda é a obra-prima para muitos.

Sucessor de Popular Songs (2009), Fade traz, em 10 faixas, o conhecido talento em unir guitarras distorcidas, arranjos delicados e doces orquestrações. O disco pode ser sintetizado pelas canções de abertura e encerramento. Ohn apoia-se em uma estrutura repetitiva e minimalista que avança para uma crescente massa sonora. Before We Run é uma canção de ninar.

Kaplan, Georgia Hubley (bateria, piano e vocal) e James McNew (baixo e vocal) seguem fazendo um som não convencional com letras intimistas. Do jazz ao minimalismo, do pop perfeito à psicodelia, de chiados a barulhinhos esquisitos, tudo adquire sentido entre os climas ora ruidosos ora melodiosos que compõem o som grupo. E os vocais de Kaplan e Georgia (são marido e mulher) continuam deliciosamente sussurrados.

No Yo la Tengo, sons são calculados para preencher espaços em melodias que dão vontade de pegar o carro e sair por aí. Sem se preocupar com o tempo – ou a passagem dele.

Fade
Yo la Tengo
Matador, 10 faixas, versões em CD (R$ 25, em média) e vinil (R$ 40, em média)

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