Durante duas semanas, Pelotas se tornará simbolicamente a capital da música erudita do Rio Grande do Sul.
Começa, nesta segunda-feira (14/1), o 3º Festival Internacional Sesc de Música, que conjuga atividades educativas para instrumentistas e cantores e eventos para o público, como 40 espetáculos gratuitos em diferentes espaços da cidade.
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O crescimento do evento pode ser medido pelo número de alunos inscritos. Este ano, 630 disputaram as cerca de 300 vagas. Em 2012, foram 360 inscritos para 250 vagas. O diretor artístico do festival, Evandro Matté, atribui o crescimento à divulgação boca a boca feita pelos que participaram das duas edições anteriores. Garante que Pelotas se tornou o maior evento do gênero do Estado:
– Temos bons festivais, como o de Bagé e o de Vale Vêneto, mas não tínhamos no Rio Grande do Sul um festival que abrangesse toda a gama de instrumentos da orquestra e que ofertasse um número tão grande de vagas e de espetáculos.
Há quem acredite que o evento está pavimentando, aos poucos, sua relevância nacional. É o caso do violinista Emmanuele Baldini, spalla da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), que será solista do concerto de abertura, hoje, às 21h, no Theatro Guarany, acompanhando a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), sob regência de Matté. Antes, às 17h, haverá um ensaio aberto no mesmo local.
– Claro que festivais como o de Campos do Jordão têm a vantagem de estarem próximos de uma grande capital como São Paulo, mas Pelotas tem uma virtude que pode ser explorada para se tornar um dos mais importantes do Brasil. É quase uma cidade de fronteira, que pode tranquilamente congregar jovens brasileiros, argentinos e uruguaios – argumenta Baldini, que também participou da primeira edição do evento. – Um dos motivos pelos quais o festival continua de pé é que o tempo que os jovens têm para ensaiar e para ter aula é bem distribuído. Conheço festivais nos quais eles têm pouco tempo para estudar.
Baldini se refere às formações que serão criadas durante o festival para promover, entre os alunos, a prática de conjunto. No primeiro dia das aulas, os professores decidirão as posições dos músicos na Orquestra Acadêmica, que terá cerca de cem integrantes, e na Banda Sinfônica, formato que compreende de 80 a 90 músicos e tem como diferencial abranger, quase na totalidade, instrumentos de sopro. Cada formação executará duas obras, com seis ensaios para cada uma delas. A Orquestra Acadêmica, por exemplo, interpretará Scheherazade, de Rimsky-Korsakov, e a 9ª Sinfonia, de Beethoven.
– Seis ensaios é uma quantidade suficiente para qualquer orquestra profissional. Para esses jovens, no entanto, será um desafio, mas um desafio calculado. Sabemos que isso será possível pelo nível dos currículos.
A célebre obra de Beethoven será executada no encerramento do festival, no dia 26, às 21h, no Parque Dom Antônio Zattera. Até lá, diversos espetáculos serão apresentados em espaços que fogem à tradicional sala de concerto, como o Hospital Espírita e a Biblioteca Pública.
– Hoje, quem assiste apenas a TV aberta ouve axé, pagode e funk, que têm sua qualidade, mas não podem ser as únicas músicas a que se tem acesso. Assim, podemos levar compositores brasileiros como Villa-Lobos e Guerra Peixe para pessoas que não os conhecem. Quem sabe algumas delas se interessem em ir ao Theatro Guarany, onde serão os grandes concertos do festival.
Confira os números do festival:
> 400 participantes, entre músicos, professores e alunos
> 630 alunos inscritos (quase o dobro dos 360 inscritos em 2012), dos quais foram selecionados cerca de 300
> 40 espetáculos gratuitos em diferentes espaços da cidade, com grupos e artistas como o sexteto argentino Escalandrum (que tem como baterista Daniel Piazzolla, neto de Astor Piazzolla), o Quinteto Villa-Lobos e o violinista Emmanuele Baldini, spalla da Osesp
> 28 oficinas ministradas por professores como o trompetista francês Pierre Dutot e o violonista uruguaio Eduardo Fernandez








