Num primeiro momento, ver Odilon Wagner no papel de um serviçal causa um certo estranhamento. Afinal, o porte do ator sempre foi seu passaporte para personagens ricos nas novelas. Só que ele não via a hora de quebrar o ciclo, e o mordomo Tompson de Salve Jorge foi a resposta a suas preces.
– Já era um desejo antigo fazer algo totalmente diferente. Apesar de Tompson ter requinte, ele é um empregado. Estou apaixonado pelo papel, que faz com que eu tenha um trabalho de composição.Isso me dá várias possibilidades – afirma o paranaense de 58 anos.
Odilon acredita que seu tipo físico impede que o vejam na pele de personagens fora do padrão elegante/clássico/milionário.
– Fazer o empresário, o poderoso é cair no lugar-comum. Por que não me dão, por exemplo, um caminhoneiro rude, desgrenhado? Porque acham que meu tipo físico não casa. Mas por que não? Sofro preconceito ao inverso – lamenta Odilon.
Empolgado com o mordomo, o ator fez do cinema seu aliado na busca pela essência de Tompson – e achou o que queria no filme Santiago, de João Moreira Salles.
– É a história do mordomo que, por 30 anos, trabalhou para a família dele. Um homem que passou a vida em função dos patrões, que apreciava os bons costumes, a elegância, o protocolo.Vi ali o espírito do meu personagem, que também tem a lealdade como ponto forte – analisa Odilon, referindo-se à relação de Tompson com a patroa, Leonor (Nicette Bruno):
– Ele a admira cegamente, é de uma fidelidade canina.Acho que até mais que Emily (a cadelinha da milionária). Por Leonor,esse sujeito aceita até a cachorrinha.













