Nome basilar da música erudita brasileira, o padre José Maurício Nunes Garcia (1767 – 1830) é considerado um dos maiores compositores de sua época fora da Europa. Apesar do prestígio de que gozou em vida, especialmente a partir da chegada da Corte de Portugal ao Rio de Janeiro, em 1808, o mestre da Capela Real foi gradativamente sendo esquecido depois de sua morte.
Sua obra só foi redescoberta em meados do século passado, graças, em especial, ao trabalho da musicóloga Cleofe Person de Mattos. Foi a especialista em música colonial brasileira quem realizou o primeiro levantamento da partitura de Responsórios Fúnebres, peça do compositor mulato gravada pelo Coral Porto Alegre e Orquestra, sob a regência do maestro Ernani Aguiar, na Igreja Nossa Senhora das Dores, na capital gaúcha, e lançada recentemente em disco, com patrocínio da Petrobras. Escrita para coro a quatro vozes (sopranos, contraltos, tenores e baixos), uma flauta, duas clarinetas, duas trompas e cordas, a música utiliza o texto do Ofício dos Defuntos e descreve um pecador que se submete ao julgamento divino e é perdoado, descansando assim nos braços de Deus.
Distante do registro excessivamente grave e sombrio que o tema poderia sugerir, Responsórios Fúnebres apresenta-se como uma encantadora e colorida composição em nove movimentos, cantada em latim, na qual o protagonismo do coral – que contou com preparação vocal de Gisa Volkmann – valoriza o tom redentor da composição de Nunes Garcia.
Responsórios Fúnebres
Peça do padre José Maurício Nunes Garcia (1767 – 1830). Interpretação do Coral Porto Alegre e Orquestra, sob regência do maestro Ernani Aguiar.
Lançamento independente, 9 faixas, R$ 27,90 (em média).













