Em 1976, quando O Império dos Sentidos - de Nagisa Oshima, morto nesta terça-feira - foi lançado, causou controvérsia não só no Brasil. Tivemos notícias de polêmicas na França, na Argentina. Ainda era um período de censura no país, e um filme como esse tinha todos os elementos para provocar uma movimentação muito grande, dada a situação da nossa cultura.
Tinha uma estética subversiva, que chocava os padrões da moralidade comum, mais conservadora. Ao mesmo tempo, era uma referência de possibilidades de abertura, do ponto de vista estético e também político. Discutia questões consideradas tabus. A ideia de que o homem goza com mais intensidade quando está asfixiado passou a ser uma fantasia recorrente em outros filmes. Trata da experiência de um gozo que possa transcender a forma de prazer comum. Esse gozo tem como horizonte, como limite, a morte. Lacan assistiu ao filme e ficou profundamente impressionado.
O ambiente em Porto Alegre, na segunda metade da década de 1970, era de uma retomada de movimentação política e cultural. A retomada de um movimento cultural sempre tem uma implicação política. Foi o momento em que as pessoas começaram a ocupar o espaço público – por exemplo, tomando chimarrão na Redenção, o que hoje é normal. O Império dos Sentidos ficou bastante tempo em cartaz em Porto Alegre porque respondia a esse anseio de liberdade e porque sua temática trata de questões fundamentais para a condição humana, que são as questões relacionadas ao sexo, à sexualidade. Não há uma fórmula de como cada um pode realizar seu gozo, seu prazer. Por isso, quando se trata desse tema de uma forma profunda, as pessoas vão assistir e querem discutir.













