Uma polêmica pode privar a Festa do Mar de Rio Grande da apresentação de artistas locais. Em uma discussão iniciada nas redes sociais, músicos da região ameaçam não participar do evento por discordarem da divisão – e em alguns casos da falta dela – de cachês para artistas locais.
As atrações nacionais estão garantidas, mas ainda não foram confirmadas. A Festa será realizada de 27 de março a 7 de abril.
A controvérsia começou com uma postagem no Facebook. Ao fazer sua inscrição para se apresentar na festa, o músico Gilberto Oliveira, com 33 anos de carreira, recebeu a informação de que não receberia nada para tocar no evento. A organização garantia a ele, e aos outros músicos que se dispunham a participar, apenas "o espaço para mostrar seu trabalho".
– Quem vive da arte, que retira disso seu sustento, sabe que é muito pouco se apresentar em troca de espaço, como eles estão dizendo – argumenta o músico de Rio Grande.
Gilberto postou uma reprodução da página na internet com o aviso de que não haveria cachê. A manifestação isolada ganhou adeptos, foi se espalhando pela cidade e gerou reações até mesmo de músicos de fora do Brasil que já tocaram com Gilberto.
– Não é o cachê em si, que é bastante baixo, que vai fazer a diferença. A questão é a valorização do artista local – explica o músico, que já tocou em outras cinco edições da Festa do Mar.
Em poucas semanas, a manifestação dos músicos deixou a internet e se transformou em uma ameaça de boicote ao evento. Até mesmo artistas que foram convidados, e que receberiam pela apresentação, aderiram ao movimento. Caso não haja mudança nos planos dos organizadores eles não devem subir ao palco.
– Estão ocorrendo reuniões entre os músicos, que também buscaram ajuda com a Secretaria Municipal de Cultura. Se continuar como está alguns dos que foram convidados não irão participar em solidariedade aos colegas – afirma o músico Douglas da Silva Vallejos.
Até o ano passado, todos os artistas locais podiam se inscrever para a festa. Um determinado número entre os inscritos era selecionado para participar do evento com cachê. Nessa edição, no entanto, os organizadores optaram por montar uma lista de contratados, que receberão entre R$ 600 e R$ 1 mil.
– A questão é que muitos dos contratados foram chamados porque tocaram de graça no ano passado. Os profissionais que recebiam cachê ficaram de fora – argumenta Gilberto Oliveira.
Mobilização para evitar o boicote
A Festa do Mar é promovida pela Femar Agência de Desenvolvimento, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) de natureza privada, mas que recebe recursos do município. A promotora afirma que fez uma seleção própria para "manter a qualidade" das apresentações.
De acordo com o presidente da Femar, Márcio das Neves, os recursos destinados aos artistas locais não são os mesmos usados para contratação de atrações nacionais. A verba destinada aos músicos de Rio Grande é a mesma do ano passado, R$ 30 mil.
– Artistas nacionais são chamados por uma produtora. Ela cobra do público, além dos R$ 6 de entrada na festa, mais R$ 25 para cobrir o custos desses shows. São coisas separadas. Artistas da região de maior renome, como alguns que iniciaram esse movimento, deveriam negociar com a produtora para fazerem a abertura dessas atrações – sugere.
O boicote promovido por artistas da cidade pode ser evitado pela prefeitura e pela Câmara de Vereadores. Desde que tomou conhecimento da situação, a Secretaria Municipal da Cultura tenta mediar o diálogo entre músicos e Femar. Os vereadores, em uma reunião na última terça-feira, se dispuseram a ajudar a captar recursos para que todos os músicos da cidade possam receber cachê.
– Vamos fazer um orçamento para saber quanto será necessário para dar cachê a todos. Com esse valor em mãos, a Câmara de Vereadores vai tentar captar os recursos – ressalta o presidente da Femar.













