A arte moderna gaúcha se desenvolveu na posição periférica em que se encontrava o Estado.
Isso fez com que artistas como Vasco Prado, Xico Stockinger e Sonia Ebling criassem obras com as particularidades de quem não atuava nos movimentos que exaltavam o nacionalismo ou a abstração no centro do país.
Se os três artistas não refletiam a modernidade pautada pelas vanguardas paulistas e cariocas, por outro lado tinham nos grandes mestres europeus a fonte inesgotável de referências figurativas. Uma amostra dessa produção pode ser conferida a partir desta segunda-feira, na Galeria Paulo Capelari (Rua Visconde do Rio Branco, 691), na Capital.
A exposição Mestres conta com 15 esculturas criadas por Prado, Stockinger, Sonia e ainda Bez Batti, que atualiza a tradição escultórica do Rio Grande do Sul com sua permanente produção. Até o dia 30, a mostra tem visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h, e aos sábados, das 10h às 13h.
Com quatro obras, Prado (1914 – 1998) é autor da preciosidade da exposição, a escultura em madeira e metal intitulada Torso Feminino – uma das três peças da série criada em 1965. Trata-se de uma raridade porque o artista raramente trabalhou com madeira, e as outras duas esculturas que completam a série estão em coleções particulares. Nascido em Uruguaiana e reconhecido por suas mulheres e seus cavalos em pedra, bronze e cerâmica, Prado foi também gravador. Participou de um dos momentos mais emblemáticos da história da arte gaúcha: os Clubes da Gravura de Porto Alegre e Bagé, ao lado de colegas de geração como Carlos Scliar, Danúbio Gonçalves, Glênio Bianchetti e Glauco Rodrigues.
Xico Stockinger (1919 – 2009) é destaque da mostra, com sete obras. Nascido na Áustria, educado em São Paulo e iniciado em arte no Rio de Janeiro, o artista se filiou ao modernismo gaúcho a partir dos anos 1950 com sua mudança para o Estado. Trabalhando com diferentes linguagens, da gravura ao desenho, contribuiu para a vertente expressionista da arte moderna com os célebres guerreiros com troncos de árvores e peças de ferro.
Já Sonia Ebling (1918 – 2006) é contemplada com três de suas esculturas figurativas em bronze. Nascida em Taquara, ela mudou-se, nos anos 1950, para Paris, na França, onde foi aluna do escultor modernista Ossip Zadkine. Sonia participou de três edições da Bienal de São Paulo, incluindo a primeira, em 1951.
A mostra também conta com uma obra de Bez Batti, artista que se radicou no interior de Bento Gonçalves, no chamado Caminho das Pedras, para ali viver dedicado à escultura. Suas oficinas atraem visitantes interessados em conhecer seu processo de produção com a pedra basalto que recolhe na própria região.








