A família de Walmor Chagas realizará um desejo que teria sido manifestado pelo ator, cujo corpo foi cremado no fim da tarde de sábado, no Crematório Parques das Flores, na cidade de São José dos Campos, em cerimônia restrita a amigos e parentes. As cinzas serão levadas para o sítio do artista em Guaratinguetá, no interior de São Paulo, onde ele foi encontrado morto, aos 82 anos.
– Era um desejo dele que suas cinzas fossem depositadas lá – conta a sobrinha, Adriane Chagas .
As circunstâncias da morte estão sendo investigadas. Um funcionário ouviu um barulho de tiro e encontrou o corpo do artista caído na cozinha, mas disse que não havia qualquer indício de que seu patrão iria tirar a vida.
A respeito da possibilidade de suicídio, a família ainda diz que não há elementos para tal conclusão. A Polícia Civil encara a hipótese como provável porque Chagas estaria incomodado com os problemas de saúde que vinha sofrendo. Segundo o jornal O Globo, a advogada Maria Dalva Zangrandi, contratada pela família, disse que o ator não deixou nenhuma carta ou bilhete, mas vinha manifestando para pessoas próximas incômodo com as suas condições de vida.
– Ele dependia de fisioterapeuta, fonoaudióloga e acompanhante. Tinha hipertensão e problema de estômago, que dificultava a alimentação – contou a advogada, segundo informações do site de O Globo.
Para o diretor Djalma Limongi Batista, autor de uma biografia sobre Walmor Chagas, o ator tinha dificuldades em lidar com as doenças e as consequentes limitações físicas:
– Nos últimos anos, ele praticamente perdeu a visão. Isso o impedia de ler, ver filmes, as coisas de que mais gostava. E isso tudo se tornou ainda mais complicado para uma pessoa tão altiva, profissional e empreendedora como ele.
Batista escreveu Walmor Chagas – Um Ensaio Aberto para um Homem Indignado, que aborda a trajetória do ator de forma profunda. Além de dar conta de vida e obra, apresenta uma dimensão emocional do biografado com depoimentos do próprio sobre a vida e a arte. Batista dirigiu Walmor na peça Um Homem Indignado (2004), que tratava de temas como suicídio. Em 2005, a montagem esteve em cartaz em duas sessões no Theatro São Pedro, em Porto Alegre.
– Ele disse que seria a última peça dele, sua última vez no palco. Escolheu assim porque começou no São Pedro e queria terminar ali. E assi fez ao sair de cena. No Walmor, cabiam todas as angústias. E isso fez dele um grande artista e intelectual – diz Batista.
Walmor era gaúcho e, segundo a sobrinha e o biógrafo, nasceu em Porto Alegre, e não em Alegrete, como consta em alguns textos sobre o ator.













