Em baixa18/01/2013 | 12h09Atualizada em 21/01/2013 | 10h20

Apesar da alta arrecadação, cinema nacional ocupa pouco espaço no mercado

Dos 83 lançamentos brasileiros no ano, apenas cinco superaram 1 milhão de espectadores

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Apesar da alta arrecadação, cinema nacional ocupa pouco espaço no mercado  Mariana Vianna/Divulgação
Em 2012, só comédias como De Pernas pro Ar 2 passaram de 1 milhão de ingressos vendidos Foto: Mariana Vianna / Divulgação
Luiz Zanin Oricchio

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) divulgou na terça-feira números do mercado cinematográfico de 2012 em tom otimista. A arrecadação das salas atingiu o recorde histórico de R$ 1,6 bilhão. Alta de 12,13% em relação a 2011. Maior do que a inflação, portanto. O público acumulado alcançou o número de 146,4 milhões de espectadores, o que também é expressivo.

O circuito cresceu. Onde a numerologia pega, apesar do tom festivo, é na participação das produções nacionais no "market share".Quanto o cinema nacional ocupou do mercado? O número final é 10,62%, insatisfatório, ainda mais para um cinema em boa parte produzido com incentivo fiscal. O tom é otimista porque o primeiro semestre foi péssimo (5,12%) e o segundo, melhor (15,29%). Na média, os 10,62% da conta de chegada.

A agência considera que houve "forte recuperação". Verdade. Mas esses números deveriam ser vistos com preocupação, e não com júbilo. Os 10,62% dos ingressos vendidos para os filmes brasileiros são inferiores à conta de 2011 (17,8%) e estão muito abaixo da de 2010 (25,6%). Assinalam, portanto, uma involução, e não uma evolução. Na verdade, recuam ao patamar de 2007 (10,3%). Fora dois anos excepcionais, 2010 (25,6%) e 2003 (22%), a participação dos longas nacionais no mercado anda de lado na última década. Não consegue avançar, mesmo com a produção estabilizada em patamar razoável de 80 a 90 longas-metragens lançados a cada ano.

A questão é que muitos desses filmes sequer chegam ao circuito e, quando chegam, não se mantêm pelo tempo necessário para encontrar seu público. Alguns são muito mal lançados. Títulos promissores podem terminar a carreira prematuramente por desinteresse do público, mas também quando o circuito é tomado por blockbusters. Às vezes, a quase totalidade das salas é ocupada por dois ou três arrasa quarteirões. Difícil fazer política cinematográfica com tal ocupação predatória.

A Ancine comemora os 15,5 milhões de pessoas que foram aos cinemas assistir a filmes brasileiros em 2012. Dos 83 lançamentos nacionais, apenas cinco superaram 1 milhão de espectadores. Cita duas comédias globais, Até que a Sorte nos Separe (3,3 milhões) e De Pernas pro Ar 2 (1 milhão, apenas na última semana do ano). O comunicado não conta que, das cinco maiores bilheterias de 2012, quatro foram de comédias globais (além das duas citadas, passaram do milhão E Aí... Comeu?, Os Penetras e As Aventuras de Agamenon).

Esse é o retrato de uma cinematografia sadia e diversificada?

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