Na semana em que comemora 70 anos de vida, Marília Pêra vai ter de falar muito sobre a morte. A atriz volta nesta quinta-feira à TV com o seriado Pé na Cova, escrito por Miguel Falabella, que estreia às 23h20, na Globo, em que interpreta Darlene, uma maquiadora de defuntos constantemente fora de seu estado normal.
– Ela está sempre com gim e cigarro eletrônico, pois ela esteve muito tempo internada em uma clínica. Ela é muito para cima – conta.
Marília diz que a morte é um assunto que nunca a atormentou.
– Em 1973, fazia um personagem que dizia para a plateia 'vocês todos vão morrer'. Todo mundo ficava nervoso, meio rindo. Eu não me preocupava com isso, achava que só acontecia com as pessoas mais velhas. Mas tenho ido a tantos enterros, que a vida te mostra que todo mundo morre – reflete ela, que prefere mudar de tema. – Nem é de bom tom a pessoa mais velha ficar falando isso. A vida está aí e é boa. ê um privilégio estar viva e ser feliz é minha meta.
Apesar da idade, Marília garante que não faltam papéis para ela e explica que tem a solução para os colegas de profissão.
– Quando não tem trabalho, você pega um bom texto, decora e vai fazer em qualquer lugar, em qualquer horário – ensina.
No seriado, Marília vive a ex-mulher de Ruço (Miguel Falabella), dono de uma funerária falida. Para piorar, ela divide a casa com ele, casado com Abigail (Lorena Comparato), 30 anos mais jovem, além de toda família do ex-marido.
– Ela não liga, trata como se fosse uma filha que gosta menos – brinca.
A trama se concentra no mau funcionamento da funerária, que além de ter poucos clientes, é gerenciada por uma família atrapalhada. O autor buscou referências na infância suburbana na Ilha do Governador, zona norte do Rio.
– Havia um cemitério onde eu ia pegar frutas. E nos cemitérios as frutas são robustas – justifica Falabella.
Quem coloca dinheiro em casa é Odete Roitman (Luma Costa), que fatura fazendo strip-tease pela internet e namora Tamanco (Mart'nália), em uma relação homossexual que não esconde da família.
– Você acha que vai ter beijo (gay) em um País onde as pessoas não sabem ler. A gente ainda está com uma pena na cabeça e um tacape na mão.









