A saga dos irmãos Villas-Bôas, aventureiros que desbravaram um Brasil desconhecido e deixaram como legado o Parque Nacional do Xingu, é muito menos conhecida do que poderia ser.
Xingu, o filme que conta essa aventura, foi visto por 392 mil pessoas nos cinemas. Agora vai ganhar as massas: será exibido na TV Globo entre esta terça e sexta-feira, em quatro capítulos que vão ao ar antes do Jornal da Globo.
Nesta nova versão concebida para a tevê terá cenas extras que não ficaram na montagem final do filme (que tinha 102 minutos), além de uma nova narração em off do personagem de João Miguel e de uma apresentação para cada um dos quatro capítulos, a cargo do mesmo ator.
João Miguel interpreta Cláudio, que dos três irmãos foi o que mais se embrenhou nos territórios indígenas, desbravando-os e se tornando o principal interlocutor branco com os índios das tribos que habitam a região onde hoje fica o maior parque de preservação da América Latina, criado em 1961 no norte do Estado do Mato Grosso.
Orlando, o mais diplomático do trio, aquele que ficava encarregado de ir a Brasília tratar das questões políticas e legais da preservação, é interpretado por Felipe Camargo, enquanto o caçula Leonardo, que lá pelas tantas abandona a missão voltando à cidade, é vivido por Caio Blat. Elogiado pela crítica, Xingu decepcionou em sua campanha no circuito de cinemas, o que levou Fernando Meirelles, diretor de Cidade de Deus (2002) e produtor deste filme, a desabafar contra o público brasileiro – e gaúcho em especial (veja quadro abaixo).
A direção é de Cao Hamburger (de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de 2006), que explicou como ficou a “nova versão” do filme em encontro com a imprensa:
– Incluímos mais algumas cenas que haviam ficado de fora e retrabalhamos o conteúdo para deixar o ritmo um pouco mais acelerado. Fizemos um trabalho de edição que deixou a série com cara de TV de boa qualidade, gostosa de assistir na tela pequena.
O diretor do núcleo de dramaturgia da Globo Guel Arraes complementou:
– Os irmãos Villas Bôas são alguns dos maiores heróis brasileiros e, ao mesmo tempo, os mais anônimos. A importância da adaptação é esta história estar disponível a mais gente. Na televisão, ela ganha um significado político e ideológico enorme.
Nem índio, nem jagunço
— A versão estendida de Xingu deve ser vista por milhões de pessoas na TV Globo, bem mais do que as 392 mil que pagaram ingresso para ver o filme nos cinemas.
— A decepção com o baixo número de espectadores fez o produtor Fernando Meirelles desabafar. Ele criticou o gosto do público e, em entrevista a ZH, disse ter desistido de adaptar Grande Sertão: Veredas para o cinema. “Espectador brasileiro não quer saber de índio ou jagunço, não adianta”, afirmou.













