Explicar o tropicalismo nunca foi fácil. Foi um movimento que quebrou barreiras ou ergueu pontes entre elementos proposital ou aparentemente desconectados?
É o que questiona ainda hoje Gilberto Gil, protagonista do manifesto musical e estético que sacudiu e coloriu o Brasil no final dos anos 1960.
Em cartaz desde terça-feira, no CineBancários, Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now! é o segundo documentário lançado este ano a jogar luz sobre esse efervescente – e efêmero – sopro de inventividade com marcas muito visíveis ainda na cultura nacional.
Depois de o excepcional Tropicália passar em revista o período espelhando sua gênese nas manifestações de vanguarda simultâneas que ocorriam no Brasil, em 1967, também no cinema, no teatro e nas artes visuais, o foco dos diretores Ninho Moraes e Francisco César Filho em Tropicalismo Now! se dá pelo ponto de vista do tributo.
A proposta dos realizadores é voltar ao tropicalismo na carona de artistas que, no século 21, erguem o mesmo estandarte da experimentação e da provocação. Como André Abujamra, protagonista do eixo narrativo do filme com um espetáculo musical-performático que apresentou em 2011, no Teatro Uzyna Uzona, em São Paulo.
No palco, Abujamra e sua banda recebem um time de convidados (entre eles o músico baiano Luiz Caldas e o ator global Alexandre Nero) para uma releitura de canções tropicalistas, de Soy Loco por ti America ao clímax com Bat Macumba. Em paralelo, o filme exibe dramatizações, como a leitura de trechos de teóricos do tropicalismo, como José Agrippino de Paula e Torquato Neto, e intervenções com a personagem Lindoneia (vivida por Alice Braga), presente na canção homônima de Caetano cantada por Nara Leão no disco Tropicália ou Panis et Circensis (1968) — e inspirada na obra do artista plástico Rubens Gerchman A Bela Lindoneia.
Tropicalismo Now! alinhava ainda a perspectiva histórica e política do movimento com depoimentos, entre outros, do músico e escritor José Miguel Wisnik e de sociólogos e filósofos. O próprio Gil, então ministro da Cultura, marca presença falando de como manter vivos os ideais tropicalistas à luz de elementos contemporâneos como a livre circulação de ideias e criações pelo mundo virtual. Um dos depoimentos, inclusive, ressalta que os jovens à frente da cultura digital hoje podem ter papel tão relevante nas artes quanto os dos tropicalistas no passado. A ver para crer.








