Após mais de dois anos e meio fechado, o Theatro Sete de Abril, em Pelotas, passará por uma reforma.
A estrutura original dos quase 180 anos de história será mantida, mas novidades serão adicionadas, como climatização e uma nova tecnologia na parte sonora. A garantia chegou na última semana em forma de aprovação do projeto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
– Vamos reformar tudo: telhado, paredes, assoalhos, banheiros, camarins, palco, caixa cênica, poltronas, pinturas, camarotes, instalações elétricas... Mas seguindo o original – afirma a secretária da Cultura de Pelotas, Anne Rodriguez Fernandes.
O projeto foi dividido em dois pelo caráter de emergência. O prédio corria risco de desabamento e foi interditado pelo Ministério Público Federal em março de 2010. Como arrumar o telhado e as paredes de sustentação eram os itens mais urgentes, a prefeitura optou por trabalhar na captação de recursos primeiro para essa obra. Na semana passada, foi assinado um convênio entre o governo municipal e o Iphan. Haverá um investimento de quase R$ 1,5 milhão.
A cobertura tem previsão de ficar pronta em outubro de 2013. Já a obra completa, mesmo aprovada, ainda precisa passar pelo processo de captação – o orçamento é de mais R$ 5,3 milhões.
A ideia da administração atual – que muda em janeiro – é de somente retomar as atividades do teatro após o restauro completo, o que ainda não tem data prevista. Mesmo assim, o coordenador do Núcleo de Teatro da Ufpel, Adriano Moraes, se mostra otimista com os avanços:
– Acho que, com essa abertura, certamente virá um aquecimento do mercado local. No entanto, é preciso ficar atento. A falta de manutenção não é só por falta de dinheiro, mas porque o município e o Estado não tiveram atenção suficiente para detectar o problema.
Moraes foi um dos coordenadores das manifestações que pediam a reabertura do Theatro Sete de Abril. Desde o fechamento, ele calcula que houve cerca de 10 protestos, todos organizados pelo Facebook e por mobilizações informais da classe artística, que também promoveu ações para alertar o público sobre as condições do local.
Os artistas fizeram filas na frente da bilheteria, espetáculos em frente ao teatro e coordenaram aplausos coletivos para o prédio. Caso as obras tardem, eles já sabem como chamar a atenção de novo.









